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Ucrânia entra na guerra contra o Irão

Experiência de Kiev contra os drones iranianos usados pela Rússia pode ser determinante no conflito do Médio Oriente.

06 de março de 2026 às 01:30

A Ucrânia disponibilizou-se para ajudar os Estados Unidos e os países do Médio Oriente na guerra contra o Irão, face à crescente ameaça de drones - aeronaves não tripuladas, de baixo custo e rápida produção, extremamente eficazes no ataque a alvos definidos. Em causa, os drones Shahed-136 iranianos, fornecidos por Teerão a Moscovo e usados pelos russos no ataque à Ucrânia em grande escala, praticamente desde o início do conflito. Ao fim de quatro anos de guerra, Kiev desenvolveu mecanismos de combate a ataques massivos destes drones, que poderão ser determinantes no conflito que está a incendiar o Médio Oriente. “Os nossos parceiros solicitaram ajuda à Ucrânia na defesa contra os drones Shahed. Solicitaram os nossos conhecimentos e experiência operacional”, revelou esta quinta-feira Volodymyr Zelensky. O Pentágono, sede do Departamento de Defesa norte-americano, já se manifestou interessado na aquisição dos antidrones ucranianos (que detetam, rastreiam e neutralizam os drones inimigos) para utilizar no Médio Oriente e, eventualmente, em operações futuras. Zelensky está disposto a “ajudar aqueles que ajudam a Ucrânia”, mas com duas condições. Por um lado, que este apoio não coloque em causa a defesa do território ucraniano. Por outro, ajuda, nomeadamente diplomática, que permita um “fim breve e justo” da guerra na Ucrânia.

Esta oferta de Kiev surge numa altura em que o Irão e o Hezbollah, neste caso a partir do Líbano, continuam a massacrar com verdadeiros ‘enxames de drones’ não apenas Israel mas também os vários países do golfo Pérsico. Uma forma de desgastar as defesas, abrindo caminho aos mísseis balísticos, mais destrutivos. A mesma estratégia usada por Moscovo no teatro de operações ucraniano.

O sucesso do Shahed-136 levou as grandes potências, como a Rússia e os EUA, a apostarem forte no desenvolvimento destas aeronaves de baixo custo, seja para atacar seja para abater drones. É o caso dos Geran-2, de fabrico russo, e dos norte-americanos LUCAS.

E TAMBÉM

Apelo a Israel

O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou a Israel para evitar uma incursão terrestre no Líbano, afirmando que, além de causar vítimas civis, apenas servirá para reforçar a popularidade do Hezbollah junto da população libanesa. Israel lançou nos últimos dias dezenas de ataques aéreos no Líbano, em reposta a ataques do Hezbollah.

Militares sem proteção

Os seis militares norte-americanos que foram mortos num ataque iraniano no Kuwait estavam a trabalhar num centro de comando logístico num contentor.

35 mil bloqueados

Cerca de 20 mil marinheiros e 15 mil passageiros estão bloqueados em navios de carga e de cruzeiro no golfo Pérsico devido ao encerramento do estreito de Ormuz e às ameaças do Irão contra a navegação na região.

Navio procura refúgio no Sri Lanka 

Um navio de guerra do Irão pediu esta quinta-feira autorização para aportar no Sri Lanka, um dia depois de uma fragata iraniana ter sido afundada por um torpedo lançado por um submarino norte-americano ao largo daquele país, causando a morte de mais de 80 marinheiros. Os dois navios iranianos regressavam ao Irão depois de terem participado num festival naval na Índia. Os EUA dizem ter afundado já mais de vinte navios da Marinha do Irão. 

Dez países da UE já organizaram repatriamento

Dez Estados-membros da União Europeia, à exceção de Portugal, ativaram o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, que coordena a resposta comunitária a emergências, para repatriar cidadãos a partir do Médio Oriente, tendo já sido realizados seis voos. Uma fonte europeia disse que ainda “não há nada específico sobre Portugal nem pedidos para ter passageiros noutro voo, mas salientou que podem estar portugueses a bordo devido ao princípio de solidariedade europeia”.  

UE não depende do petróleo do golfo

A chefe da diplomacia da UE garante que o bloco não depende do petróleo do golfo para o seu abastecimento energético. Kaja Kallas diz que não há motivos para entrar em pânico com eventuais disrupções porque “não sofremos com impactos na segurança do abastecimento”.  

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