Candidato presidencial afirmou que o "acordo com o Mercosul globalmente para Portugal não é favorável".
O candidato presidencial António Filipe mostrou-se esta segunda-feira muito preocupado com o tratado com o Mercosul e chamou a atenção para a agricultura, a investigação e o retrocesso com a extinção ou fusão de instituições públicas.
"Com muita preocupação e daí os protestos dos agricultores em vários países europeus é muito significativo", afirmou o candidato presidencial apoiado pelo PCP e PEV sobre o tratado da União Europeia com o Mercosul.
António Filipe, que falava em Elvas, distrito de Portalegre, à margem e uma visita à Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, afirmou ainda que o "acordo com o Mercosul globalmente para Portugal não é favorável".
"Para a agricultura portuguesa há uma grande preocupação com isso, como acontece geralmente com os agricultores espanhóis, franceses e italianos, que têm vindo a manifestar, creio que isso também nos afeta a nós", referiu.
Isto porque, justificou, "criam-se condições para que o agronegócio de países da América Latina, chegue em melhores condições à Europa, o que vai dificultar muito a capacidade de resposta por parte da agricultura nacional, por exemplo, setores que são muito importantes para Portugal, como por exemplo o setor do vinho, vai ter mais dificuldades com este acordo", justificou.
Acrescentando que, para países industrializados, como a Alemanha, "o acordo será favorável, porque tem melhores condições de exportação daquilo que fabricam para países da América Latina".
A União Europeia deu luz verde na sexta-feira ao avanço deste importante acordo comercial com o bloco sul-americano, apesar da oposição de vários países, nomeadamente França, Hungria, Polónia, Irlanda e Áustria.
António Filipe foi hoje a Elvas para chamar a atenção para três dimensões.
"Em primeiro lugar, para a necessidade de desenvolvimento da nossa agricultura. Esta Estação tem uma grande importância no estudo das sementes e nós temos um deficit enorme em matéria de segurança alimentar e particularmente em matéria de cereais", referiu, adiantando que a capacidade nacional de produção de cereais corresponde a cerca de 5% das necessidades do país.
A Estação nacional é uma instituição científica pública e, para o candidato "importa que elas sejam defendidas".
"E nós temos vindo a assistir ao contrário disso, designadamente com a recente extinção da FCT, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, e também para a fusão de instituições. Está prevista a fusão do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) com a Agência Português do Ambiente (APA), que significa, na prática, a extinção do ICNF", referiu.
Considerando, por isso, que "em matéria das estruturas públicas, desigualmente nestas áreas da ciência, tem havido um processo regressivo".
Com esta visita, António Filipe quis realçar o trabalho científico "muito relevante" que a instituição desenvolve na área da agricultura.
"Salientar a importância da ciência para a nossa produção, salientar a importância em si mesmo da produção nacional, desigualmente na área agrícola e nas mais deficitárias, como é o caso da cerealífera, e chamar a atenção para a necessidade de defendermos as instituições científicas públicas, porque isso é fundamental para um país que se pretende desenvolvido", resumiu.
Os candidatos às eleições presidenciais são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), António Filipe (apoiado pelo PCP), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
A segunda volta, a realizar-se, decorrerá a 08 de fevereiro.
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