Candidata às presidenciais sublinhou a necessidade de travar o executivo, após terem sido noticiadas, esta quinta-feira, mais duas mortes por atrasos no socorro.
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A candidata presidencial Catarina Martins afirmou esta quinta-feira que Ana Paula Martins "nunca devia ter sido ministra", mas apontou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, como "principal responsável" dos problemas no SNS.
"Estamos numa situação de calamidade na Saúde em que já não podemos dizer que foi um erro da ministra, uma coisa que correu mal. É mesmo um problema global do Governo, do qual o primeiro-ministro é o principal responsável", afirmou Catarina Martins.
Em declarações aos jornalistas no início de uma vista aos Bombeiros Voluntários da Moita, a candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro sublinhou a necessidade de travar o executivo, após terem sido noticiadas, esta quinta-feira, mais duas mortes depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.
Questionada se a ministra da Saúde tem condições para manter-se no cargo, Catarina Martins afirmou que Ana Paula Martins nunca deveria ter sido reconduzida, mas sublinhou que a responsabilização já não se limita à tutela.
"É das coisas mais graves a que já assistimos no nosso país. Não é uma questão de a ministra ter condições - que seguramente não tem -, é uma questão da estratégia do Governo, que tem de ser travada", apontou.
Na quarta-feira, a candidata a Belém já tinha acusado o executivo de degradar, deliberadamente, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) e esta quinta-feira voltou a afirmar que não acredita que "tantos azares possam ser incompetência" e que os decisores políticos "sabem o que estão a fazer e o que decidiram fazer é gravíssimo".
"Há duas hipóteses: ou o Governo é absolutamente incompetente, e é assustador ter um Governo assim tão incompetente, ou o Governo quer mesmo destruir o SNS para entregar tudo ao negócio privado da doença, o que também é assustador. Mas como eu não insulto os meus adversários, não vou achar que são todos incompetentes. Seguramente alguém tem uma estratégia", argumentou.
Em relação a outros candidatos presidenciais, Catarina Martins questionou se Luís Marques Mendes -- "do partido do Governo" -- ou se João Cotrim Figueiredo -- "que vem dizer que vai ser o aliado mais fiável do Governo" -- serão indicados para a Presidência da República.
"Precisamos de uma Presidente da República que convoque toda a gente para salvar o acesso das pessoas à saúde em Portugal", defendeu, prometendo que, enquanto chefe de Estado, tudo fará para "travar esta destruição deliberada do SNS".
Para isso, admite vetar diplomas que se traduzam em cortes na Saúde e diz que chamaria a Belém profissionais de saúde e bombeiros, que considera não estarem a ser ouvidos pelo executivo.
"E o Presidente da República teria de estar a chamar agora o primeiro-ministro", acrescentou, criticando igualmente o silêncio de Marcelo Rebelo de Sousa.
De visita aos Bombeiros Voluntários da Moita, que no ano passado realizaram 15 partos e na quarta-feira realizaram o primeiro parto este ano, Catarina Martins aproveitou também para sublinhar o contributo daqueles voluntários que "estão a fazer uma tarefa que não é sua".
"E ainda bem que correu tudo bem até agora, mas se há alguma coisa a correr mal, não é culpa dos bombeiros, seguramente", afirmou, acrescentando, no entanto, que "o risco existe, e o risco é provocado por um Governo que é de uma irresponsabilidade brutal e que tem de ser travado".
Pelo menos três pessoas morreram esta semana depois de terem ligado para o INEM a pedir socorro e os meios não terem chegado a tempo.
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