Primeira candidatura presidencial feminina foi protagonizada pela antiga primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo, há 40 anos.
A atriz, eurodeputada e ex-coordenadora do BE Catarina Martins foi a quinta mulher a candidatar-se a Presidente da República, apoiada pelo seu partido, e a que teve mais baixa votação até agora, cerca de 2%.
Em 50 anos de eleições presidenciais desde o 25 de Abril, as candidaturas protagonizadas por homens foram a grande maioria, houve aproximadamente cinco dezenas de candidatos até agora, sem qualquer concorrente mulher em 1976, 1980, 1991, 1996, 2001, 2006 e 2011.
A primeira candidatura presidencial feminina foi protagonizada pela antiga primeira-ministra Maria de Lourdes Pintasilgo, há 40 anos, nas eleições presidenciais de 1986, em que ficou em quarto e último lugar, com perto de 419 mil votos, 7,38% dos votos validamente expressos.
Nessas eleições, em que a UDP lhe declarou apoio, Pintasilgo enfrentou Freitas do Amaral, apoiado por PSD e CDS, e Mário Soares, apoiado pelo PS -- os dois que passariam à segunda volta, em que Soares foi eleito Presidente -- e ainda Salgado Zenha, candidato vindo do PS, que teve apoios do PRD e do então Presidente Ramalho Eanes, e também do PCP.
Só passados 30 anos houve outras mulheres candidatas a Presidente da República: Marisa Matias, na altura eurodeputada do BE, que nessas eleições presidenciais de 2016 conseguiu aproximadamente 470 mil votos, 10,12%, o segundo melhor resultado feminino até agora, e Maria de Belém, do PS, que concorreu sem apoio do seu partido, e teve perto de 197 mil votos, 4,24%.
Marisa Matias ficou em terceiro lugar, atrás do atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, vencedor à primeira volta, com apoios de PSD e CDS-PP, e de Sampaio da Nóvoa, candidato independente que recebeu apoios de figuras do PS, enquanto a antiga ministra da Saúde Maria de Belém ficou em quarto, numas eleições com um total de dez candidatos.
Cinco anos depois, na recandidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, em 2021, Ana Gomes, diplomata, militante do PS, que foi a votos sem apoio do seu partido, alcançou o melhor resultado de uma candidata presidencial até agora: mais de 540 mil votos, 12,96% dos votos expressos.
Nessas presidenciais, Ana Gomes ficou à frente do presidente do Chega, André Ventura, e de João Ferreira, candidato apoiado pelo PCP, e de Marisa Matias, novamente candidata apoiada pelo BE, que na sua segunda candidatura ficou em quinto lugar, com cerca de 165 mil votos, 3,96% do total.
Segundo os resultados provisórios divulgados pela Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, Catarina Martins, a única mulher candidata nas eleições presidenciais de domingo, teve perto de 116 mil votos, correspondentes a 2,06% do total de votos validamente expressos, e ficou em sexto lugar.
A eurodeputada, que disputou estas eleições num contexto em que o BE tem apenas um deputado na Assembleia da República, teve uma percentagem semelhante à obtida pelo seu partido nas legislativas de 18 de maio de 2025, mas menos cerca de 10 mil votos, a mais baixa votação entre as candidaturas presidenciais protagonizadas por mulheres.
À sua frente ficaram António José Seguro, apoiado pelo PS, o candidato mais votado, e André Ventura, apoiado pelo Chega -- que vão disputar uma segunda volta -- e também João Cotrim de Figueiredo, apoiado pela IL, Henrique Gouveia e Melo e Luís Marques Mendes, apoiado pelo PSD.
Numas eleições com 11 candidaturas, a de Catarina Martins superou as de António Filipe, apoiado por PCP e PEV, Manuel João Vieira, Jorge Pinto, apoiado pela IL, André Pestana e Humberto Correia.
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