A candidata presidencial respondeu ao apelo ao voto útil de António José Seguro.
A candidata presidencial Catarina Martins respondeu esta terça-feira ao apelo ao voto útil de António José Seguro, sublinhando que as sondagens não são a primeira volta das eleições e que é o voto por convicção que muda o país.
"As pessoas votam e votam por convicção e a primeira volta das eleições presidenciais é uma volta de convicção, em que se dá força ao projeto que se acredita enquanto país", defendeu a candidata apoiada pelo BE.
Em declarações aos jornalistas durante uma visita ao Mercado de Torres Novas (distrito de Santarém), Catarina Martins foi questionada sobre as declarações do candidato apoiado pelo PS que, na segunda-feira, afirmou que o voto nos candidatos apoiados pelo Livre, PCP e BE "não conta" por ser "meio voto" e ajudar a direita.
"Dizem-nos as sondagens que há candidatos que não têm hipóteses de passar à segunda volta. A confirmarem-se essas sondagens, o voto nesses candidatos é um voto que não conta", disse António José Seguro.
Em resposta, Catarina Martins sublinhou que nenhum dos 11 candidatos às eleições presidenciais de 18 de janeiro "tem um único voto" e avisou que "as sondagens não são a primeira volta".
A candidata apoiada pelo BE aproveitou também para voltar a deixar criticas a António José Seguro e ao seu papel no período da 'troika', em que, enquanto secretário-geral do PS, cooperou com o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.
No domingo, o candidato socialista também recordou esses tempos, justificando que quando negociou um acordo de salvação nacional em 2013, defendeu o interesse nacional e dos portugueses, entendimento que não é partilhado por Catarina Martins.
"Agora pede o voto para quê? Para no dia a seguir poder voltar a orgulhar-se de apoiar ou de viabilizar cortes contra a Constituição? A mim as pessoas conhecem. Quando isso aconteceu, eu juntei forças com socialistas para ir ao Tribunal Constitucional e devolver o subsídio de férias e subsídio de Natal que tinha sido cortado", recordou a candidata a Belém que, na altura, era porta-voz do BE.
Apelando aos eleitores que "pensem no dia seguinte às eleições e na garantia que querem", Catarina Martins defendeu que, a 12 dias do ato eleitoral, "está tudo por decidir e o voto por convicção é aquele que pode mudar o país".
Ao longo da visita ao Mercado de Torres Novas, Catarina Martins parou várias vezes para cumprimentar e ouvir comerciantes e clientes, que partilharam as suas preocupações em relação ao estado do país. A principal: saúde.
"Na saúde, temos um bloqueio. Temos um Governo que corta primeiro e pensa depois e não temos um projeto que possa pôr o Serviço Nacional de Saúde mais forte", criticou.
Empenhada em trazer para a campanha os temas que mais preocupam os eleitores, a candidata lamentou que se fale pouco sobre saúde numa altura em que -- considera -- o Governo "não foi capaz de prevenir a quantidade de vacinas da gripe de que o país precisava e agora queixa-se porque há um surto de gripe, estamos no inverno e não sabe o que há de fazer".
"É difícil pensar em maior irresponsabilidade. E sendo certo que uma Presidente da República não legisla nem governa, tem de chamar a atenção. Não podemos continuar a achar que o inverno ou a gripe são uma surpresa. É preciso preparar", afirmou.
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