Antes mesmo de a campanha arrancar, a única mulher candidata às eleições presidenciais de domingo já tinha avisado que seria uma campanha diferente, condicionada pelo reduzido orçamento.
Com uma campanha "praticamente sem meios", Catarina Martins apostou nos mercados e feiras para ouvir as pessoas, e nos "laboratórios" temáticos e projetos que considerou bons exemplos para discutir soluções para os problemas do país.
Antes mesmo de a campanha arrancar, a única mulher candidata às eleições presidenciais de domingo já tinha avisado que seria uma campanha diferente, condicionada pelo reduzido orçamento.
Logo nos primeiros dias, e sempre que as condições meteorológicas permitiram, Catarina Martins apostou nas idas a feiras e mercados para estar junto das populações e ouvir os lamentos e desabafos sobre os problemas sentidos pelos portugueses.
Entre o custo de vida, a crise na habitação ou os baixos salários, as principais queixas ouvidas eram comuns e incidiram, sobretudo, nos problemas da saúde, tema que marcou a campanha da candidata apoiada pelo BE que, praticamente todos os dias, comentou o "caos" no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
As críticas foram várias e os alvos também. Ao Governo, Catarina Martins repetiu que a ministra da Saúde nunca deveria ter sido reconduzida no cargo e acusou o primeiro-ministro de levar a cabo uma estratégia deliberada para degradar o SNS.
Após a morte de três pessoas na sequência de atrasos na emergência médica, e perante a ausência de explicações do executivo, a candidata a Belém deixou também críticas ao silêncio do Presidente da República, deixando antever qual seria a sua posição se estivesse no lugar de Marcelo Rebelo de Sousa: travar a política na Saúde do Governo.
Mas se a atualidade noticiosa impôs que a Saúde fosse uma constante na campanha de Catarina Martins, a candidata fez também questão de introduzir outros temas e fê-lo com visitas a projetos sociais que considerou bons exemplos que podem e devem ser replicados, e ao promover debates.
Nos "laboratórios", como eram designados pela equipa de campanha, Catarina Martins organizou debates temáticos com ativistas, especialistas e pessoas interessadas sobre ambiente e o papel das associações ambientais, a desigualdade de género no acesso à saúde, cidades para as pessoas, e o futuro e a revolução tecnológica.
"Se num fim de tarde é possível juntar esta gente e criar ideias novas quando discuto os temas, o que não podemos fazer neste país se a Presidência da República, em vez de um permanente jogo de taticismos, for mesmo ouvir o país, pôr as pessoas a pensar e criar soluções", chegou a afirmar Catarina Martins no final de um desses encontros.
Promover a discussão sobre soluções para os problemas do país foi, precisamente, um dos principais compromissos assumidos pela candidata que, ao longo da campanha, criticou os outros candidatos, em particular à sua direita, pelas constantes trocas de acusações.
Apesar de ter chegado a afirmar que, sem esquerda, esta seria uma campanha de "selvajaria e lama", Catarina Martins não se absteve de participar nessas trocas, com críticas dirigidas maioritariamente a André Ventura, João Cotrim Figueiredo, Luís Marques Mendes, Henrique Gouveia e Melo e António José Seguro.
Depois de o ataque dos Estados Unidos à Venezuela ter marcado o arranque da campanha, e das posições posteriormente assumidas pelo presidente norte-americano sobre a Gronelândia, Catarina Martins destacou também a política internacional, pedindo coragem à União Europeia contra o "perigo global" que representa Donald Trump.
Aos eleitores, repetiu os apelos ao voto por convicção, em resposta aos apelos ao voto útil do candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, sem nunca fixar uma meta para a noite eleitoral.
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