Bloquista apelou ao voto dos eleitores que querem quebrar 'tabus'.
A candidata presidencial Catarina Martins defendeu, na terça-feira à noite, que Portugal será melhor com os "votos fortes" da esquerda paritária, democrática, responsável e combativa e assumiu o compromisso de "cuidar da democracia".
"Sei que Portugal será melhor se, no domingo, se contarem os votos fortes de uma esquerda paritária, democrática, responsável e combativa", sublinhou Catarina Martins durante uma sessão pública no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra.
Na reta final da campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 18 de janeiro, a candidata apoiada pelo BE antecipou o futuro em que é chefe de Estado e intensificou os apelos ao voto por um país melhor.
Entre os aplausos de cerca de uma centena de apoiantes que assistiram à sessão, apelou ao voto "de toda a gente que não quer ter um biombo na sala da Presidência", ao voto por um Serviço Nacional de Saúde (SNS), e de quem "não empresta o seu voto a quem não merece".
Apelou também ao voto dos eleitores que querem quebrar 'tabus': o 'tabu' dos baixos salários, do país do turismo, da precariedade, da solidão, do abuso do trabalho e, sobretudo, de que uma mulher não pode ser Presidente da República.
"Sei que seremos mais fortes se dissermos, no domingo, que cada um dos nossos votos vai cuidar da democracia e fazer Portugal mais forte com a solidariedade entre toda a gente", sublinhou Catarina Martins.
Comparando-se aos outros candidatos, e focando-se naqueles com quem não partilha o espetro político, disse que há quem veja em Belém um prémio de carreira de deputado ou dirigente partidário, quem não se pronuncie sobre as questões importantes e "os que falaram, mas ninguém se conseguirá lembrar de uma ideia que propunham".
"Há até um que diz que não consegue explicar o que lhe passou pela cabeça, mas quer ser Presidente", ironizou, referindo-se a João Cotrim Figueiredo, que assumiu que dizer que não excluía o apoio a nenhum candidato numa eventual segunda volta, incluindo Ventura, foi "um momento bastante infeliz" e de "falta de clareza" que não sabe explicar.
Entre todos os apelos, Catarina Martins destacou um tema que tem sido constante ao longo da campanha e que aponta como um dos principais problemas do país: a saúde.
Em Coimbra, cidade onde António Arnaut e João Semedo apresentaram, pela primeira vez, a proposta de uma nova Lei de Bases da Saúde, a candidata apoiada pelo BE defendeu a necessidade de medidas profundas, inspirando-se no histórico socialista que criou o SNS e no antigo deputado e dirigente do BE.
"Ambos dedicaram as suas vidas a corrigir e a tentar salvar o SNS. E ao fazê-lo, deram mostras de como se podem ultrapassar as fronteiras partidárias e apresentar um regime para a saúde", defendeu.
Fazendo a ponte entre a saúde e a política internacional, Catarina Martins fez referência a declarações do presidente norte-americano, em que Donald Trump gaba-se de obrigar os países europeus a aumentar o preço dos medicamentos produzidos por farmacêuticas norte-americanas.
"Uma Presidente da República tem de ajudar a resolver esta questão do regime democrático. Há duas respostas para a crise dos medicamentos e eu quero ambas", afirmou a candidata a Belém, defendendo a produção de medicamentos cuja patente já tenha expirado e uma política europeia de investigação e de produção que "permita não depender dos preços das multinacionais norte-americanas e das ordens do imperador (referindo-se a Trump)".
Ainda sobre questões internacionais, Catarina Martins afirmou que o respeito pelo direito internacional "é a única forma de sermos mesmo uma comunidade e de haver segurança e país".
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