Sobre sondagens, referiu que "condicionam mais do que acertam" e, por isso, advertiu que "há todo um apelo ao voto" que tem vindo a fazer.
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O candidato presidencial António Filipe ofereceu esta quinta-feira cravos vermelhos pelas ruas de Almada, entrou em lojas, recebeu o apoio do irmão mais velho e apelou ao voto no "António certo" no domingo.
Rodeado de apoiantes, António Filipe foi percorrendo ruas de Almada, distrito de Setúbal, com cravos vermelhos nas mãos que foi distribuindo a mulheres e homens de quem foi ouvindo uma "boa sorte" e "boa campanha" e a quem foi respondendo "até domingo".
Domingo é dia de eleições presidenciais e, na quarta-feira à noite, durante um jantar com apoiantes, em Santarém, o candidato já tinha ensaiado um apelo ao voto, advertindo os seus apoiantes que há ainda muitos indecisos para conquistar.
Esta quinta-feira, insistiu na mensagem e considerou que "estes últimos dias de campanha são muito importantes".
A meio do percurso alguém atirou: "Como diz a canção, se estás à rasca chama o António e estamos mesmo à rasquinha com este Governo, precisamos do António".
"Mas o António certo", retorquiu António Filipe.
Antes, já tinha recebido um abraço do irmão mais velho, Carlos Rodrigues, que confidenciou que em pequenos andavam "à bulha" e hoje fez questão de dar o seu apoio ao candidato que, garantiu, "dava um bom Presidente".
"Tem feito uma campanha honesta principalmente", considerou Carlos Rodrigues, que contou que o irmão "sempre foi mais determinado, focado e interessado nas questões sociais".
O candidato entrou em cafés, mercearias, numa alfaiataria à antiga, numa loja social e até numa casa de jogos.
"É preciso jogar pelo seguro. Pelo seguro, mas com as letras pequeninas, vendo primeiro as letras pequeninas. Não se assina contratos de seguro sem ler as letras todas", referiu lá dentro.
À porta de um supermercado duas idosas queixaram-se dos cravos murchos, um problema que foi prontamente resolvido por António Filipe que procurou novas flores para lhes oferecer.
"Temos de saber escolher para não sermos enganados", apontou António Filipe, ao que uma das idosas respondeu: "Temos, sim senhor", adiantando depois aos jornalistas que já decidiu em quem vai votar, mas que "é segredo".
"Já distribuí algumas dezenas de cravos, mas acho que vou ter mais votos do que isso. Estou muito confiante, acho que a campanha tem vindo a crescer", disse, depois, o candidato apoiado pelo PCP e pelo PEV.
Sobre sondagens, referiu que "condicionam mais do que acertam" e, por isso, advertiu que "há todo um apelo ao voto" que tem vindo a fazer.
Seja de que forma for feita a pergunta sobre uma segunda volta e um eventual apoio a outro candidato, a resposta do ex-deputado comunista é sempre a mesma "só há a segunda volta depois dos votos contados" no domingo.
"Eu não sei quem vai à segunda volta, não faço ideia, e, portanto, eu não funciono na base de 'ses'. E, portanto, depois de contados os votos no dia 18 [domingo], então aí pensa-se na segunda volta".
Continuou: "No dia 19 estamos cá todos, eu estarei cá com a mesma determinação com que estou hoje, estarei cá no dia 18, 19 e por aí fora".
Questionado sobre secretários-gerais do PCP que, no passado, apelaram ao voto em candidatos que não eram do PCP, António Filipe respondeu: "Circunstâncias completamente diferentes, não tem nenhuma comparação com aquela que temos hoje, e, portanto, a história não se repete desse ponto de vista".
Durante o percurso distribuiu cumprimentos e memórias.
"Foi aqui na academia que se deu o acordo entre o Arlindo Vicente e o Humberto Delgado, em que Arlindo Vicente desistiu e, nessa altura, vim cá e disse estejam tranquilos, eu não venho aqui anunciar nenhuma desistência que isto é para ir até a fim", brincou o candidato, recordando uma visita a Almada, em pré-campanha.
Arlindo Vicente retirou a sua candidatura a Presidente da República nas eleições presidenciais de 1958.
Depois, em frente à Câmara de Almada, trabalhadores do município revelaram também o apoio à sua candidatura à Presidência da República.
Para além de António Filipe, são também candidatos à Presidência da República são Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes (apoiado pelo PSD e CDS), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), António José Seguro (apoiado pelo PS), o pintor Humberto Correia, o sindicalista André Pestana, Jorge Pinto (apoiado pelo Livre), Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), André Ventura (apoiado pelo Chega) e o músico Manuel João Vieira.
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