Candidato apresentou-se como alternativa independente e com a promessa de ser exigente com os governos.
Gouveia e Melo esteve na campanha presidencial a travar batalha atrás de batalha contra os seus adversários suportados pela "casta da política", apresentando-se como alternativa independente e com a promessa de ser exigente com os governos.
Ao longo da campanha eleitoral, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada definiu-se como um "moderado" do centro político, defensor da Aliança Atlântica e da União Europeia, num país com economia de mercado competitiva, mas, também, com um Estado social forte para proteger os cidadãos mais vulneráveis, garantindo coesão territorial e saúde pública universal.
Em Coimbra, na segunda-feira, considerou mesmo que o seu pensamento abrange uma área ideológica que vai "desde uma faixa do PS ao CDS", cobrindo, portanto, todo o espaço do PSD.
Em diversas ocasiões, contudo, não hesitou em criticar o Governo PSD/CDS, principalmente a sua política de saúde, nem a operação militar do "aliado" norte-americano na Venezuela.
Gouveia e Melo defendeu sistematicamente que os partidos deviam estar fora desta campanha presidencial e, em relação aos adversários, disparou mais vezes contra Marques Mendes, apoiado pelo PSD e CDS, e contra António José Seguro, apoiado pelo PS. Os dois foram por si caracterizados como políticos de um "sistema antigo" incapaz de resolver os problemas. Um sistema de uma "casta política" que acusou de partidarizar os lugares técnicos da administração pública.
Ora, no Palácio de Belém, segundo Gouveia e Melo, é preciso alguém com exigência em relação à governação. "Nem uma marioneta, nem um opositor dos governos", advogou.
Atacou também os percursos políticos de Mendes e de Seguro. Apontou que ambos foram líderes partidários, mas acabaram por ser derrubados internamente. E perguntou: "Se não conseguiram controlar os seus partidos, como quer algum deles ser Presidente da República?"
Nos últimos dias, com as sondagens a colocarem Cotrim Figueiredo com hipóteses de disputar uma segunda volta, Gouveia e Melo também o visou. Classificou-o como alguém instável que está sempre a corrigir o que antes disse, e "um tio de Cascais" neoliberal. Advertiu que, tal como Mendes, também ele poderá ser "subserviente" perante o Governo PSD/CSS.
Já em relação a André Ventura, advertiu que votar nele é "um desperdício", porque o líder do Chega "não quer ser Presidente da República". Em contraponto a Ventura, assumiu-se como um democrata convicto e lembrou que enquanto militar jurou a Constituição.
Nas feiras, quando confrontado com queixas de discriminação por parte de ciganos ou imigrantes, manifestou-se contra o racismo e frisou ser defensor do princípio da igualdade perante a lei.
A campanha do almirante teve outro inimigo: as sondagens, que estão colocá-lo fora da segunda volta. "Estou farto de sondagens", reagiu. O almirante considerou-as "instrumentos políticos" que tem como único objetivo influenciar o comportamento eleitoral.
Nos seus discursos, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada procurou apresentar-se como alguém que teve um percurso "exemplar" nas Forças Armadas, sendo um militar responsável e corajoso. Lembrou as suas missões na ajuda ao combate aos incêndios florestais em Pedrógão Grande, em 2017, ou como coordenador do plano de vacinação contra a covid-19.
Nas ruas, até agora, o almirante foi sempre bem recebido e revelou elevada capacidade de interação com os cidadãos. É reconhecido muitas vezes como o "senhor das vacinas" e, com frequência, os mais idosos pedem-lhe para pôr ordem na saúde.
Mostrou-se de casaco de cabedal de aviador, tipo Top Gun, a andar de moto em Chaves. E fez rafting no rio Paiva, no concelho de Arouca. No fim da descida, lançou-se do bote de costas para as águas geladas do rio.
Também tentou cativar os jovens. Depois de um comício noturno, esteve a dançar numa discoteca do Porto.
Nesta campanha, o grande problema do independente Gouveia e Melo foi não ter máquina partidária a apoiá-lo. As suas ações de campanha de rua juntaram apenas algumas dezenas de apoiantes. Os seus almoços ou jantares comício têm reunido em regra entre 200 ou 700 pessoas. Procurou superar isso com uma agenda cheia de deslocações a feiras e mercados, sobretudo no norte do país.
Do ponto de vista político, teve a ajuda sobretudo do ex-presidente do PSD Rui Rio, mandatário da sua candidatura, e do autarca de Oeiras, Isaltino Morais. Os dois fizeram discursos incisivos em sua defesa.
Da parte do PS, houve menos figuras de topo à sua volta. Destacaram-se os antigos ministros socialistas da Saúde Correia de Campos e Manuel Pizarro.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.