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Marques Mendes nega ser candidato do Governo e critica propostas liberais de Cotrim de Figueiredo

Candidato apoiado por PSD e CDS-PP insistiu no tema que tem marcado todos os seus discursos - a defesa da estabilidade.

08 de janeiro de 2026 às 23:33

O candidato presidencial Marques Mendes afirmou hoje que defender a estabilidade não é ser o candidato do Governo, "mas do país", e criticou propostas do candidato apoiado pela IL Cotrim de Figueiredo por falta de "consciência social".

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP falava num jantar-comício em Torres Novas (distrito de Santarém), que contou com uma intervenção da presidente da sua comissão de honra Leonor Beleza, que é também a primeira vice-presidente dos sociais-democratas, e dos deputados Isaura Morais, Paulo Morais e Ricardo Oliveira.

Marques Mendes insistiu no tema que tem marcado todos os seus discursos -- a defesa da estabilidade --, criticando o título de uma notícia do Expresso relativa ao dia de campanha de quarta-feira: "O dia mau em que Marques Mendes se assumiu como o candidato do Governo".

"Eu respeito os títulos de todos os jornais e as notícias de todos os jornais. Portanto, com todo o respeito por todos os critérios editoriais, devo dizer que isso é um erro monumental. Não, eu não sou o candidato do Governo, eu sou o candidato do país", afirmou, defendendo que querer que o Governo eleito cumpra o seu mandato "é cumprir a Constituição".

Por outro lado, citou os mais recentes dados económicos quanto ao crescimento e a um novo excedente orçamental para considerar que seria "um crime de lesa pátria" gerar instabilidade, como acusou os seus adversários a Belém de pretenderem.

"Com estes dados vamos pôr em causa a estabilidade? Nem pensar. Isto não tem nada a ver com ser do Governo, é ser amigo de Portugal e dos portugueses", disse.

O candidato apoiado por PSD e CDS-PP criticou, em particular, o seu adversário João Cotrim Figueiredo, embora ser o nomear.

"Num país como o nosso, um Presidente da República tem de estar profundamente empenhado na justiça social, não pode ser um Presidente como o candidato da IL. Não é uma crítica, é uma constatação", disse.

Mendes referiu-se, em concreto, a duas medidas defendidas por Cotrim de Figueiredo e pela IL: a privatização da Caixa Geral de Depósitos -- que considerou "uma loucura em momento de crise" -- ou uma taxa única de IRS.

"Uma taxa de IRS igual para pobres, ricos e remediados: isto não é justiça social, mas uma verdadeira indignidade", criticou, acrescentando que faria abrir "um buraco enorme" nas contas públicas e diminuir as verbas para a saúde, educação e pensões.

Mendes saudou a notícia de que o Presidente da República já promulgou o diploma do Governo que visa a criação de urgências de obstetrícia regionais, lembrando que tinha apelado no passado sábado a que Belém e São Bento convergissem rapidamente neste tema.

"O assunto está resolvido, parabéns ao Presidente da República e ao Governo. É um pequeno sinal, mas é exatamente o que quero como Presidente da República: tentar a união e convergência", disse.

Discursando rodeado de jovens no palco, Mendes fez uma referência implícita às sondagens que o colocam fora de uma provável segunda volta das presidenciais, contrapondo que só tem sentido "entusiasmo e mobilização" na rua.

"Se alguns pensavam que nos desanimavam, enganem-se - e já se enganaram - nós estamos aqui para vencer e para servir Portugal", afirmou.

No jantar de hoje foi apresentado o mandatário da Inovação e Inteligência Artificial, Bernardo Caldas, que lidera as equipas de dados e inteligência artificial na Mollie, "uma das maiores empresas de tecnologia financeira europeias", segundo nota biográfica divulgada pela campanha.

"Vemos falhas e erros na saúde, justiça e educação, não é por falta de investimento em recursos humanos. É que não há forma de ser muito bom nestas áreas sem o Estado ser muito bom a fazer tecnologia", defendeu o jovem natural de Torres Novas, formado em engenharia pelo Instituto Superior Técnico e com mestrado pelo Imperial College London.

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