Candidato apoiado pelos sociais democratas somou teve apenas 11% dos votos e ficou em quarto lugar.
Luís Marques Mendes, com apenas 11% nas eleições presidenciais, ficou muito longe do mais baixo resultado de sempre de um candidato apoiado pelo PSD, 34,6%, e também a grande distância dos resultados mais recentes da AD.
De acordo com os resultados provisórios pelas 23:00, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, com cerca de 630 mil votos, ficou atrás de António José Seguro e André Ventura, que passaram à segunda volta, mas também de Cotrim Figueiredo e Gouveia e Melo, o que o coloca num inédito quinto lugar entre os candidatos oficialmente apoiados pelo PSD para Belém.
Antes desta eleição, todos as figuras apoiadas pelo PSD em corridas a Belém (por vezes sozinho, outras com o CDS-PP) ou venceram as eleições, casos dos últimos dois chefes de Estado e antigos líderes do PSD - Aníbal Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa, sempre à primeira volta com mais de 50% dos votos - ou ficaram em segundo lugar.
Este domingo, numa eleição com 11 candidatos, um número recorde, mesmo o vencedor - Seguro, com 31% - ficou abaixo de qualquer segundo lugar de nomes patrocinados pelo PSD.
A dispersão de votos no centro-direita foi evidente, com o candidato apoiado pela IL, João Cotrim Figueiredo, a conseguir 16% dos votos, quase o dobro do que alcançou nas europeias de 2024 e o triplo do que o partido obteve nas últimas legislativas.
Com estes resultados, o presidente do PSD e primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou que o espaço político do seu partido não estará representado na segunda volta, pelo que não haverá indicação de voto dos sociais-democratas nem em Seguro nem em Ventura.
Na mesma linha, Marques Mendes - que telefonou ao candidato apoiado pelo PS - disse que, apesar de poder ter "uma opção pessoal", não iria endossar o seu apoio a nenhum dos dois adversários.
Em 1976, o PSD apoiou Ramalho Eanes, tal como PS e CDS-PP, e o general obteve mais de 60% dos votos. Na sua reeleição, os sociais-democratas e democratas-cristãos apoiaram Soares Carneiro nas trágicas eleições de 1980 em que morre o fundador do partido Francisco Sá Carneiro, a poucos dias do sufrágio, e o derrotado conseguiu mais de 40% dos votos.
Em 1986, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP, Freitas do Amaral, venceu a primeira volta mas é derrotado na segunda por Mário Soares com 48% dos votos.
Em 1991, o PSD de Cavaco Silva apoiou a reeleição de Soares, que conseguiu mais de 70% dos votos, e o CDS-PP apresentou candidato próprio, Basílio Horta, que ficou com 14% dos votos, também acima do resultado de hoje de Mendes.
Nas eleições seguintes, Cavaco Silva foi derrotado por Jorge Sampaio com 46% dos votos e, na reeleição do socialista, o partido apoiou Joaquim Ferreira do Amaral, que ficou com 34,6% dos votos e quase 1,5 milhões de votos, o mais baixo resultado de candidatos do PSD a Belém, até este domingo.
Marques Mendes ficou também muito aquém dos mais recentes resultados das coligações PSD/CDS-PP conseguidas sob a liderança de Luís Montenegro, que em 2024 venceu legislativas com 28,3%, perdeu europeias com 31% e, em 2025, venceu novas legislativas em 2025 com 31,8% e cerca de dois milhões de votos e as autárquicas com cerca de 34% dos votos.
Marques Mendes teve Luís Montenegro ao seu lado duas vezes durante o período de campanha oficial e grande parte do elenco ministerial -- 12 dos 16 ministros, à exceção das da Saúde, Justiça, Administração Interna e do da Educação.
Montenegro fez também questão de se deslocar esta noite da sede nacional do PSD ao hotel onde a candidatura de Mendes acompanhou a noite eleitoral para dar um abraço ao candidato, depois de ter admitido que a opção do partido não teve a adesão das últimas escolhas sociais-democratas para Belém.
O também primeiro-ministro afirmou que, na segunda volta, "o PSD estará a governar Portugal".
"Não vale a pena andarem com jogos políticos e aqueles que estão muito interessados em promover questões nas próximas três semanas podem fazê-lo, mas não vão encontrar uma resposta diferente desta", avisou.
Marques Mendes não respondeu a perguntas da comunicação social e, depois de um encontro com o primeiro-ministro e vários ministros durante cerca de 45 minutos, abandonou o hotel com a família, despedindo-se: "Adeus, boa noite a todos. Obrigado".
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