Candidato insistiu que "todos os seus adversários", incluindo Seguro, poderão gerar "ruído e instabilidade".
O candidato presidencial Luís Marques Mendes admitiu esta quinta-feira que ainda poderá contar com Cavaco Silva e Manuela Ferreira Leite no último dia de campanha e insistiu que "todos os seus adversários", incluindo Seguro, poderão gerar "ruído e instabilidade".
Debaixo de chuva, o candidato apoiado por PSD e CDS-PP manteve o contacto com a população previsto para Amarante, que classificou como "uma das terras mais bonitas de Portugal".
Num momento de perguntas e respostas à comunicação social, debaixo de um conjunto de guarda-chuvas, Mendes foi questionado se ainda espera contar na sexta-feira com mais figuras do PSD na sua campanha, como o antigo Presidente da República Cavaco Silva e a antiga líder do PSD Manuela Ferreira Leite.
"Admito que sim. Não sei, mas admito que sim, só estou a admitir. Admito que sim, porque não gosto de estar a enganar ninguém", afirmou.
Questionado se considera António José Seguro um candidato "dos extremos" -- como afirmou na quarta-feira o primeiro-ministro -, Mendes escusou-se a responder diretamente, dizendo fazer apenas "a apologia" da sua candidatura.
"A minha candidatura, para além da questão da moderação e da experiência, tem uma outra preocupação, que isso sim não existe em nenhum dos outros candidatos, que é a preocupação da defesa da estabilidade. Todos os outros candidatos, de forma mais direta ou mais indireta, andam sempre ali com algumas ideias e algumas atitudes que criam ruído e que geram instabilidade", reiterou.
Perante a insistência sobre se essas palavras se aplicam também ao candidato apoiado pelo PS, reiterou que encaixam em "todos os candidatos adversários".
"Quando saí do último debate até disse isto: são dez candidatos preocupados com a instabilidade", insistiu.
Já à pergunta se houve algum apoio que gostaria de ter tido e não teve nesta campanha, respondeu negativamente, ressalvando que valoriza todos os que teve, "das pessoas mais conhecidas e menos conhecidas".
"Mas vou dizer-lhe, aquilo que me dá mais prazer mesmo é ver o apoio das pessoas anónimas na rua. Mesmo com chuva aqui, o apoio das pessoas na rua é de facto aquilo que mais me entusiasma", afirmou.
Mendes escusou-se a comentar declarações e polémicas relacionadas com os seus adversários Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo, voltando a apelar aos eleitores para que escolham no domingo "quem é mais experiente, quem tem maior capacidade de fazer pontes de entendimento".
"Eu neste momento estou a trabalhar com um objetivo, com toda a humildade, com toda a serenidade: garantir que o espaço da moderação, da estabilidade e da segurança, representado pela minha candidatura, passe à segunda volta. Este é o objetivo e é este o apelo que eu faço aos indecisos", vincou.
Sem comentar novas sondagens -- repetindo que "está tudo em aberto" -, Mendes considerou que a experiência política e a estabilidade vão ser "as duas questões que mais vão influenciar o voto no domingo", até pela situação internacional.
"Se a situação internacional é perigosa, e é bastante perigosa, então na Presidência da República convém ter alguém que tenha experiência. E o que é experiência? Experiência é experiência de governo, o parlamento, de lidar com a Constituição. Isso nem todos os candidatos têm, mas os portugueses é que decidem", afirmou, avisando que se pode estar "na iminência de ter um novo conflito entre os Estados Unidos e o Irão".
Questionado sobre se sente a responsabilidade de poder pôr em causa a força do Governo PSD/CDS-PP caso não passe à segunda volta, Luís Marques Mendes rejeitou responder "por já não ser comentador" e insistiu só ter "uma preocupação".
"Passar à segunda volta, representar este espaço que é da moderação, da experiência e da estabilidade", disse.
Estes cerca de dez minutos de declarações à chuva aconteceram junto à ponte de Amarante e geraram uma pequena fila de trânsito, incluindo um autocarro.
Depois, os contactos de rua prosseguiram mais meia hora, com o candidato a entrar em vários estabelecimentos, já que não encontrou quase ninguém na rua, talvez devido à chuva que não parou de cair.
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