Primeiro-ministro regressou à campanha para apoiar candidatura de Marques Mendes.
O presidente do PSD acusou esta quarta-feira os adversários de Marques Mendes nas presidenciais de serem "projetos de governação encapotados" e pediu ao eleitorado do centro que concentre votos para "não arriscar que os dois extremos" protagonizem a segunda volta.
Luís Montenegro falava num comício de apoio à candidatura presidencial de Luís Marques Mendes em Famalicão (Braga), defendendo que o candidato apoiado por PSD e CDS-PP é a única opção que garante "segurança, estabilidade e credibilidade".
"Esta é a escolha que coloca no Palácio de Belém um Presidente da República que o será sem ter atrelado a si um projeto de governação, todos os outros são projetos de governação encapotados disfarçados de Presidente da República", afirmou.
Pelo contrário, defendeu, Marques Mendes "é um projeto de Presidente da República que quer cooperar com um projeto de governação", aquele que lidera.
O também primeiro-ministro, que participa pela segunda vez na campanha do candidato apoiado por PSD e CDS-PP, assegurou que não quer ter em Belém "uma extensão do Governo", mas acusou os outros partidos de apoiarem candidatos que pretendem que sejam "extensões da Assembleia da República".
Montenegro voltou a apelar ao espaço "da social-democracia, democracia-cristã e do liberalismo moderado", que considera valer entre 35 e 40%, que concentre votos em Marques Mendes, considerando que a dispersão de votos é até "um exercício de masoquismo político".
"Vamos aceitar que, no fim da noite eleitoral de domingo, o espaço mais representativo do pensamento político do povo português possa ficar de fora da segunda volta? (...) A forma de não arriscar que os dois extremos sejam os protagonistas da segunda volta só se resolve se houver concentração de voto num candidato", disse, numa referência implícita a André Ventura e António José Seguro.
Montenegro considerou já ser claro que "não vai haver vencedor à primeira volta" no próximo domingo e admitiu que há "probabilidade forte" de o "espaço político da extrema-direita" estar numa segunda volta, apesar de representar pouco mais de 20%.
Por outro lado, referiu que "o espaço político da extrema-esquerda e do socialismo, com o qual está interligada" - que considerou valer cerca de 25%/30% - também tem "uma grande probabilidade" de poder estar representado numa segunda volta, a disputar a 08 de fevereiro.
O líder do PSD dirigiu-se ainda, também de forma indireta, ao candidato apoiado pela IL, João Cotrim Figueiredo, dizendo não querer na Presidência na República "aqueles que ficam deslumbrados quando têm uma notícia mais favorável ou muito atrapalhados quando têm uma notícia menos favorável".
"Sobre estudos de opinião, já houve tantos onde o candidato Luís Marques Mendes era o primeiro, nunca o vimos eufórico com isso, já houve outros onde não era o primeiro, nem estava nos primeiros, também nunca o vimos deprimido com isso. É esta a personalidade que nós queremos na Presidência da República, nós queremos segurança e estabilidade", disse.
Montenegro voltou a defender a independência de Mendes em relação ao PSD e ao Governo, considerando que outros partidos não podem dizer o mesmo sobre os candidatos que apoiam, acusando-os de quererem ter em Belém "uma extensão da Assembleia da República".
"Nós não queremos, nem precisamos de ter em Belém nenhuma extensão do Governo. Transportar para Belém uma extensão da Assembleia da República é errado. Transportar para Belém uma extensão do Governo é igualmente errado", considerou.
Na sua intervenção, de cerca de meia hora, o primeiro-ministro admitiu que Portugal "tem muitos problemas", incluindo nos serviços públicos, mas tem tido também resultados económicos que "não pode desaproveitar".
"Nós ficamos mais fortes tendo no horizonte protagonistas à espera de utilizarem órgãos de soberania, nomeadamente a Presidência da República, com fins individuais, com fins partidários, ou temos tudo a ganhar em preservar a segurança, a estabilidade e a credibilidade e tendo na Presidência da República o garante destes valores?", questionou.
"Eu não tenho dúvidas", acrescentou, deixando este apelo de reflexão a todos os que se identificam com "a filosofia política" do Governo.
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