Ao início da noite, e ainda antes de serem conhecidos os resultados finais, Ventura declarou-se "o novo líder da direita em Portugal".
André Ventura, líder e figura central do Chega, foi hoje o segundo candidato mais votado nas eleições presidenciais, às quais se apresentou como candidato antissistema e com a promessa de não ser o Presidente de todos os portugueses.
Após uma campanha repartida entre arruadas/comícios e redes sociais, e marcada pela polémica dos cartazes da sua candidatura com as frases "Isto não é o Bangladesh" e "Os ciganos têm de cumprir a lei" -- foi obrigado pelo tribunal a retirar estes últimos -, o candidato apoiado pelo Chega alcançou mais de 23% nestas eleições presidenciais, melhorando consideravelmente o resultado de há cinco anos (11,93%).
Ao início da noite, e ainda antes de serem conhecidos os resultados finais, Ventura declarou-se "o novo líder da direita em Portugal".
Com 43 anos acabados de cumprir, André Claro Amaral Ventura começou o seu percurso político no PSD, partido pelo qual foi eleito vereador da Câmara Municipal de Loures em 2017, após uma campanha que ficou marcada por declarações sobre a comunidade cigana, que causaram polémica.
No ano seguinte, acabou por se desfiliar do PSD, em rutura com o então líder do partido, Rui Rio, e em outubro renunciou ao mandato de vereador em Loures, cerca de um ano depois de ter sido eleito.
Meses depois, nasceu o Chega, partido inscrito no Tribunal Constitucional em abril de 2019.
André Ventura fundou esta força política e é o seu presidente desde o primeiro congresso, cargo que mantém há seis anos, após várias reeleições.
O líder do Chega anunciou em setembro que voltaria a candidatar-se a Presidente da República para esta força política "ter voz" nas presidenciais. Este anúncio aconteceu quatro meses após ter sido candidato nas eleições legislativas e ter assumido a ambição de chegar a primeiro-ministro.
"Nunca desejei ser candidato", chegou a dizer, justificando nova entrada na corrida a Belém como uma forma de liderar a oposição.
Ventura voltou a apresentar-se como o candidato antissistema, mantendo na campanha o discurso discriminatório contra ciganos e anti-imigração, que tem vindo a repetir ao longo dos anos, embora na última semana na estrada tenha parecido mais 'moderado' perante polémicas e ataques entre outros candidatos.
Eleito pela primeira vez para a Assembleia da República, nas eleições legislativas de 2019, na altura como deputado único, Ventura deu hoje um passo em frente na sua carreia política, conseguindo acima de 1,3 milhões de votos, mais 800 mil do que há cinco anos.
Nessas eleições presidenciais, em que Marcelo Rebelo de Sousa foi reeleito para o segundo mandato como chefe de Estado, André Ventura conseguiu um terceiro lugar, ficando atrás da socialista Ana Gomes.
Conselheiro de Estado desde junho de 2024, o presidente do Chega faz também uma forte aposta em falar diretamente para o eleitorado, através das redes sociais, onde tem milhares de seguidores, número que cresceu ainda mais nesta campanha para as eleições presidenciais.
Ventura nasceu em 15 de janeiro de 1983, em Algueirão-Mem Martins, freguesia do concelho de Sintra. É casado com Dina Nunes Ventura desde 2016 e não tem filhos.
Nunca escondeu a fé católica e fala várias vezes da experiência como seminarista na adolescência.
A nível académico, é licenciado em direito pela Universidade Nova de Lisboa e doutorado na mesma área pela Universidade de Cork, na Irlanda.
É jurista e foi professor universitário, consultor e inspetor na Autoridade Tributária.
Antes de criar o Chega, ganhou notoriedade pública também como comentador televisivo, especialmente sobre desporto. É adepto do Benfica e em criança queria ser ciclista.
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