Apoio é justificado pelo papel de Catarina Martins na defesa do SNS, da habitação, do trabalho, da igualdade, e contra a extrema-direita.
A deputada do PS Isabel Moreira manifestou este sábado o seu apoio à candidatura presidencial de Catarina Martins, que classificou como a "única candidata de esquerda" e rejeitou dispensar convicções em prol de apelos ao voto útil.
"Estou cansada e não estou disposta a não tomar partido pela única candidata de esquerda", escreveu Isabel Moreira.
O texto era para ter sido lido pela própria, mas impossibilitada de estar presente no almoço de apoio a Catarina Martins, que decorreu este sábado na cantina do Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa, as palavras da deputada socialista foram lidas pela atriz Joana Manuel, que foi candidata pela CDU às eleições europeias de 2024.
Duas "mulheres de caminhos diferentes da esquerda", com quem Catarina Martins diz ter-se cruzado "sempre por fazer lutas".
Justificando o seu apoio à candidata apoiada pelo BE, Isabel Moreira defendeu que "é preciso tomar partido" e "saber de que lado se está".
"Foi isto que a Catarina Martins afirmou mais do que uma vez, desde que é candidata à Presidência da República. Depois concretiza e afirma-se de esquerda e não pede desculpas pelo seu percurso partidário", acrescentou, em referência ao candidato apoiado pelo PS.
Ao longo do texto, as referências a António José Seguro, mais ou menos implícitas, foram várias, com Isabel Moreira a distanciar-se do candidato apoiado pelo seu partido.
Já com Catarina Martins, em comparação com as divergências políticas de ambas, a socialista diz haver muito mais que a aproxima "da urgência da afirmação dos valores elementares da esquerda".
"E há uma história comum de luta pela devolução de cortes inconstitucionais, de subsídios de férias e de Natal a pensionistas e funcionários públicos a partir de pouco mais de 600 euros por mês. E isso não é passado, lamento. Isso é presente", recordou, referindo-se mais uma vez a António José Seguro, sem o mencionar, e ao seu papel no período da 'troika', quando era secretário-geral do PS.
Por outro lado, rejeitou também os sucessivos apelos ao voto útil do candidato presidencial socialista que chegou a afirmar que o voto noutros candidatos de esquerda não conta.
"Parece um tiroteio que nos quer fazer convencer que afinal há apenas uma volta e que o nosso voto só tem um destino. São demasiados homens a dizer-nos para não estarmos numa mulher", criticou.
Recordando o cenário durante o debate televisivo entre os 11 candidatos, transmitido pela RTP na terça-feira, em que Catarina Martins era a única mulher ao lado de 10 homens, Isabel Moreira estranhou que "há quem tenha por útil que algum ou alguma de nós dispense a Catarina Martins".
"Eu não dispenso, nem empresto o meu voto, porque eu tenho o direito a não dispensar convicções, isto é, a não me dispensar", assegurou, defendendo que "é particularmente importante votar numa mulher de esquerda feminista numa era de triunfo horripilante de homens que fazem da violência machista um produto 'pop'".
Além do facto de ser a única mulher candidata, Isabel Moreira justificou ainda o seu apoio a Catarina Martins, destacando o seu papel na defesa do Serviço Nacional de Saúde, da habitação, do trabalho, da igualdade, e contra a extrema-direita.
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