"Há hospitais que não têm dinheiro para macas e estão a comprar espreguiçadeiras", disse o candidato presidencial.
O candidato presidencial André Ventura alegou este domingo que o Hospital de Santo António, no Porto, recorria a espreguiçadeiras por falta de macas, mas a unidade disse que aquelas estruturas fazem parte de plano de catástrofe e, em 15 anos, nunca foram usadas.
Em declarações aos jornalistas antes de uma arruada em Viseu, André Ventura aproveitou o momento para denunciar a compra de espreguiçadeiras por aquele hospital do Porto, alegando que a unidade não teria dinheiro para macas.
"Há hospitais que não têm dinheiro para macas e estão a comprar espreguiçadeiras", disse Ventura, com os jornalistas a receberem, minutos depois, uma fotografia por parte da comunicação da campanha que mostrava aquelas estruturas junto aos serviços de urgência do Santo António.
Ventura vincou que os outros candidatos se deveriam posicionar sobre aquele assunto e chamar "o Governo à colação".
"Isto é o país que temos. Não é no terceiro mundo, é aqui", vincou.
No entanto, fonte oficial do Hospital de Santo António explicou que aquelas espreguiçadeiras presentes na fotografia já partilhada nas redes sociais de Ventura fazem "parte de um plano de catástrofe" de resposta da unidade a grandes acidentes ou desastres naturais com elevado número de feridos.
"Em 15 anos, nunca foram utilizadas. Foram colocadas no local na véspera de Natal por engano [junto às urgências]. Assim que o Serviço de Urgência reparou na situação, foram imediatamente retiradas", salientou, acrescentando que, neste momento, "não há falta de macas".
Contactada pela Lusa, uma médica que faz serviço de urgência naquele hospital disse que nunca viu aquelas espreguiçadeiras, mas admitiu que a fotografia tem estado a circular em grupos de mensagens entre profissionais de saúde.
"Não vi ninguém recorrer àquilo até agora", vincou.
A médica, que se escusou a dar o nome, explicou que o Hospital de Santo António tem também tentado reduzir a pressão nesta altura do ano, com a libertação de camas de cirurgia, encaminhamento de casos sociais para outra unidade e um protocolo com um hospital privado para maior disponibilidade de camas.
Durante as declarações aos jornalistas, o candidato presidencial chamou ainda a atenção para o caso de uma mulher estendida no chão, alegadamente por falta de maca, nos Hospitais da Universidade de Coimbra - caso desmentido pela Unidade Local de Saúde (ULS).
Questionado pela agência Lusa sobre o porquê de não acreditar na versão da ULS de Coimbra, Ventura vincou que a denúncia da família foi "muito consistente" e disse não acreditar que alguém "estendesse uma mãe, por sua vontade, no chão de um hospital".
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