Candidato presidencial disse que se Sá Carneiro fosse hoje vivo "sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD".
O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, defendeu esta terça-feira que o histórico social-democrata e antigo primeiro-ministro Francisco Sá Carneiro não é "património exclusivo" do PSD "nem de Cavaco Silva".
"Acho que Sá Carneiro foi provavelmente o melhor político português das últimas décadas. E acho que, se Sá Carneiro não é de ninguém, também não é património exclusivo do PSD, nem de Cavaco Silva", afirmou André Ventura, junto à estação ferroviária de Pinhal Novo, distrito de Setúbal, antes de uma ação de campanha para as eleições presidenciais de dia 18.
O também líder do Chega reagia a um artigo de opinião publicado esta terça-feira no Observador pelo antigo Presidente da República e ex-chefe de executivo Aníbal Cavaco Silva, no qual o social-democrata se afirma chocado com a forma como o nome de Francisco Sá Carneiro tem sido invocado por vários candidatos às eleições presidenciais como André Ventura, Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo.
Ventura defendeu que Cavaco Silva "está errado" e disse estar convencido de que se Sá Carneiro fosse hoje vivo "sentir-se-ia muito mais próximo do Chega, dos valores do Chega, da forma de fazer política do Chega, do que do próprio PSD".
O deputado sustentou esta tese afirmando que o fundador social-democrata era "um homem de correr riscos" e de "dizer as coisas quando era preciso dizer".
Afirmando que Sá Carneiro é o seu "modelo político", Ventura negou querer apropriar-se da sua figura mas considerou que "não há o direito, do outro lado" de se dizer que "não se pode falar de Sá Carneiro porque era do PSD".
Ventura considerou que Sá Carneiro ficaria "envergonhado dos homens que estão à frente do PSD" e rejeitou que lembrar figuras como a do social-democrata diminua a campanha eleitoral.
"Acho que lembrarmos Sá Carneiro faz-nos respeitar o espírito que ele tinha contra a corrupção, contra o sistema de coisas instalado", acrescentou.
No livro "Por Dentro do Chega", do jornalista Miguel Carvalho, o deputado social-democrata à Assembleia Constituinte Manuel Costa Andrade vinca que Sá Carneiro "nunca quis que o PSD fosse o guarda-chuva dos fascistas".
Em 1978, o fundador do PSD afirmava, no quarto aniversário do partido, que não tinha "qualquer afinidade com as forças de direita", vincando: "Não somos nem seremos nunca uma força de direita".
No mesmo livro, Miguel Carvalho recorda ainda que, em 1976, Sá Carneiro alertava também para a necessidade de os políticos merecerem "o respeito e a credibilidade do povo", considerando que, sem isso, a sociedade passará a acreditar "em pessoas apenas e a esperar salvadores".
No conjunto de textos e intervenções compilados pelo Instituto Sá Carneiro, o fundador do PSD chegou a apontar para "radicalismos excessivos", "demagogias" e "utopias" como principais inimigos daqueles que pugnam pela democracia.
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