page view
Imagem promocional da micronovela
MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Ventura tentou vestir fato da moderação sem deixar fugir eleitorado do Chega 

Candidato manteve durante a campanha habituais ataques a adversários e mensagens anti-imigração e nacionalistas.

15 de janeiro de 2026 às 11:31

André Ventura tentou durante a campanha presidencial "furar a fronteira" do eleitorado do Chega e passar a ideia de maior moderação, mas manteve habituais ataques a adversários e mensagens anti-imigração e nacionalistas.

Ao longo de duas semanas de campanha, André Ventura falou a dois tons: se por um lado, em declarações aos jornalistas, dizia que queria fazer uma "campanha elevada" e sem ataques aos seus adversários, recusando-se a responder a críticas que lhe eram dirigidas, o candidato não resistia ao seu estilo habitual.

Um dos principais alvos do líder do Chega foi Luís Marques Mendes, candidato apoiado por PSD e CDS-PP, a quem Ventura se referiu várias vezes como "a marioneta" do Governo de Luís Montenegro, acusando-o de menorizar a crise na saúde.

A propósito de vários casos nesse setor, incluindo mortes por falta de assistência médica, Ventura apontou também a 'mira' ao primeiro-ministro e ao atual Presidente da República, considerando que Marcelo Rebelo de Sousa deveria ser mais exigente com o executivo.

No entanto, também não poupou críticas a outros candidatos, como Henrique Gouveia e Melo e João Cotrim de Figueiredo, com um foco, na reta final, em António José Seguro, que chegou a chamar de "tachista", quando as sondagens começaram a apontar para uma provável segunda volta entre si e o candidato apoiado pelo PS.

Ventura assumiu querer "furar a fronteira" dos apoiantes do Chega e seduzir eleitorado de centro-direita, com o objetivo de vencer as eleições presidenciais "com larguíssima margem" no domingo.

Já a preparar uma eventual segunda volta, antecipou um cenário de luta política entre um bloco socialista e um não-socialista, tendo chegado a desafiar o PSD a apoiá-lo se tal acontecer, apesar de, a dois dias do fim da campanha, ter dito que não queria o apoio do presidente social-democrata.

Para dentro, sobretudo em comícios e intervenções, manteve um discurso anti-imigração e anti-corrupção, procurando uma divisão entre "eles" e "nós", com repetidos apelos ao patriotismo e à matriz cristã do país, fazendo questão de enaltecer símbolos nacionais, nomeadamente a bandeira, que estava quase sempre a seu lado.

Quanto ao estilo da sua eventual presidência, Ventura recusou que o chefe de Estado seja "uma jarra de enfeitar" e prometeu ser "mais interventivo", incluindo guiar a ação governativa, apesar de Portugal não ter um sistema presidencialista.

Com apenas duas ações por dia, e poucos quilómetros percorridos, a campanha arrancou a sul em locais mais favoráveis eleitoralmente para o Chega, e só ao sétimo dia o candidato foi a uma capital de distrito, Portalegre.

Ventura apostou sobretudo em arruadas, sempre rodeado de uma grande comitiva de militantes, deputados e dirigentes nacionais e locais do Chega.

Nessas arruadas, colheu sobretudo o voto dos já convertidos, que lutavam por furar a roda de câmaras e seguranças para conseguir selfies, beijinhos e meia dúzia de palavras com o líder do Chega.

Ao mesmo tempo que fazia declarações aos jornalistas, o candidato com maior presença, de longe, nas principais redes sociais (Instagram, Facebook, Twitter e Tiktok) apostou fortemente no espaço digital para transmitir a sua mensagem, em vídeos curtos.

Segundo o Laboratório de Comunicação da Universidade da Beira Interior, 85,7% dos casos de desinformação associada às presidenciais nas redes sociais são da responsabilidade de André Ventura, numa campanha onde também atacou, por vezes, a comunicação social.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8