Presidente de uma empresa taiwanesa indica que a experiência da guerra está a influenciar diretamente os fabricantes de Taiwan.
A guerra na Ucrânia mudou para empresa taiwanesa AIDC a forma de entender a guerra assimétrica e obrigou a indústria de 'drones' a adaptar-se rapidamente a necessidades tecnológicas em constante evolução, disse a sua presidente, Jennifer Chuang.
Durante um evento numa das instalações da empresa Aerospace Industrial Development Corporation (AIDC) na cidade taiwanesa de Taichung, Chuang defendeu que o conflito entre Rússia e Ucrânia alterou a perceção sobre este tipo de confrontos ao demonstrar que veículos aéreos não tripulados ('drones') "muito baratos" e munições podem destruir armas dispendiosas e infraestruturas críticas.
A AIDC foi responsável pelo desenvolvimento do primeiro caça autóctone de Taiwan, o IDF, e lidera também a Aliança para a Promoção de Drones, que reúne 260 empresas locais para impulsionar a sua internacionalização.
A responsável indicou que a experiência da guerra na Ucrânia está a influenciar diretamente os fabricantes taiwaneses, que, segundo disse, receberam informações sobre requisitos técnicos de países europeus que apoiam Kiev, entre os quais Polónia e República Checa, com o objetivo de adaptar os seus produtos.
A adaptação dos 'drones' às novas realidades do campo de batalha insere-se num esforço mais amplo de Taiwan para reforçar uma indústria que o Governo considera estratégica, num contexto de crescente pressão militar da China e de aposta nas capacidades de guerra assimétrica da ilha.
Chuang acrescentou que o setor continua atento à aprovação de um orçamento especial de Defesa, mas sublinhou que a atividade não depende exclusivamente das necessidades internas.
"Se o Governo conseguir aprovar rapidamente o orçamento, melhor. Caso contrário, trata-se apenas de mais uma fonte de receitas", afirmou, acrescentando que Taiwan pode vender veículos aéreos não tripulados e componentes ao mercado internacional enquanto o financiamento permanece bloqueado.
O parlamento taiwanês ainda não desbloqueou um orçamento especial de Defesa de cerca de 39.500 milhões de dólares (33.500 euros), promovido pelo Governo e apoiado pelos Estados Unidos, devido ao bloqueio dos dois principais partidos da oposição, o Kuomintang (KMT) e o Partido Popular de Taiwan (PPT), que controlam o Parlamento.
Neste contexto, Chuang afirmou que o objetivo da ilha é expandir a indústria de 'drones' "a nível global", destacando que já existem vendas para mercados como os Estados Unidos, Polónia e República Checa.
Nos últimos anos, as autoridades taiwanesas têm tomado como referência a experiência ucraniana para reforçar a sua estratégia defensiva, baseada em sistemas mais baratos, móveis e difíceis de neutralizar, face à superioridade militar de Pequim.
O ministério da Defesa de Taiwan indicou já em 2023 que estava a "reforçar as capacidades de guerra assimétrica" após as lições retiradas do conflito na Europa, e em 2026 o Governo anunciou a intenção de adquirir mais de 200.000 'drones' através desse orçamento especial ainda pendente de aprovação.
Taiwan, governada de forma autónoma desde 1949, tem reforçado as suas capacidades militares nos últimos anos perante o aumento das ameaças da China continental, que considera a ilha uma província sua, que deve ser "reunificada" pela força, caso seja necessário.
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