Oleoduto atravessa o território ucraniano para abastecer a Hungria e a Eslováquia com petróleo comprado a Moscovo.
O Presidente ucraniano afirmou esta quinta-feira que o oleoduto Druzhba, que atravessa a Ucrânia e que foi danificado num ataque russo, poderá estar operacional dentro de um mês.
"De acordo com as informações atuais, dentro de um mês a um mês e meio, este oleoduto poderá ser colocado novamente em funcionamento", disse Volodymyr Zelensky aos jornalistas, dando a entender que gostaria que as reparações não fossem feitas "porque se trata de petróleo russo".
O oleoduto atravessa o território ucraniano para abastecer a Hungria e a Eslováquia com petróleo comprado a Moscovo, mas as entregas estão suspensas desde que ataques russos danificaram uma estação de bombagem em final de janeiro, perto de Lviv, no oeste da Ucrânia, segundo as autoridades ucranianas.
Bratislava e Budapeste acusam Kiev de adiar as reparações.
Em retaliação, a Hungria bloqueia um empréstimo da União Europeia (UE) de 90 mil milhões de euros à Ucrânia e a adoção do 20.º pacote de sanções contra a Rússia, enquanto Kiev não retomar as entregas através do oleoduto.
"A União Europeia, não é segredo, afirma que os 90 mil milhões [de euros] serão bloqueados se a Ucrânia não começar a reparar este oleoduto, essas são as condições", disse Zelensky aos jornalistas, precisando que aguarda um acordo oficial com a UE relativamente a estas condições.
Segundo o líder ucraniano, é possível que a Ucrânia repare o oleoduto no próximo mês e meio, se os membros da UE não encontrarem "outra forma" de bloquear esses fundos destinados a Kiev e se "a única condição" para os receber for que Kiev entregue "o petróleo russo à Hungria e à Eslováquia".
"Nós prepararemos tudo, e a decisão caber-lhes-á", acrescentou.
Após o início da invasão russa da Ucrânia em 2022, a UE impôs uma proibição à maioria das importações de petróleo proveniente da Rússia.
Contudo, o oleoduto Druzhba, que significa "amizade" em russo, foi temporariamente isento para dar tempo aos países da Europa Central para encontrarem novas soluções.
No entanto, a Hungria e a Eslováquia continuam a importar petróleo russo através do oleoduto.
O Presidente russo, Vladimir Putin, encontrou-se na quarta-feira com o ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, e ambos discutiram o fornecimento de crude pelo oleoduto.
Nessa ocasião, o chefe da diplomacia húngara afirmou que planeia obter "garantias de que a Rússia fornecerá à Hungria as quantidades necessárias de petróleo e gás natural ao mesmo preço" para a segurança energética do país, apesar da crise energética global e de outras circunstâncias em mudança.
Neste sentido, Putin afirmou no início da reunião que as partes iam falar sobre os envios de hidrocarbonetos para o país europeu, porque a Rússia "sempre cumpriu as suas obrigações e planeia continuar a fazê-lo".
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