Apesar da qualidade dos jogadores, Portugal nunca demonstrou as credenciais de candidato no campo.
Portugal chegou ao Mundial2026 de futebol apontado como um dos candidatos ao troféu, mas o 'onze' de Roberto Martínez, que confirmou a saída do cargo, deixou cedo a prova, ficando aquém das expectativas.
Na competição que está e decorrer até 19 de julho, nos Estados Unidos, no México e no Canadá, a formação das 'quinas' assentou num lote de jogadores de qualidade, com alguns dos melhores executantes do mundo.
Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos venceram a Liga dos Campeões pela segunda vez seguida no Paris Saint-Germain, Bruno Fernandes liderou o Manchester United e foi eleito melhor jogador da Liga inglesa, num grupo com muitas opções para todas as posições.
No entanto, e apesar da qualidade dos executantes, Portugal nunca demonstrou as credenciais de candidato no campo, com exibições pouco conseguidas e jogadores longe do nível esperado.
Martínez, que chegou a torneio em final de contrato, confirmou a saída do cargo logo na sala de imprensa, depois da eliminação de Portugal, referindo que chegou ao fim o seu ciclo.
A estreia no Grupo K ocorreu em Houston, com Portugal a consentir um empate 1-1 frente à República Democrática do Congo, num jogo em que marcou cedo, por João Neves, mas viu o adversário chegar ao empate ainda na primeira parte, por Wissa.
A exibição esteve longe de agradar e as críticas começaram a surgir perante uma estreia longe do esperado, com a equipa das 'quinas' a responder no segundo jogo, novamente em Houston, com uma goleada ao estreante Uzbequistão (5-0).
Um 'bis' de Cristiano Ronaldo, que passou a ser o primeiro jogador a marcar em seis edições e ultrapassou Eusébio como melhor marcador luso em Mundiais, e golos de Nuno Mendes, Rafael Leão e Nematov (própria baliza) deram triunfo que deixou o apuramento praticamente assegurado para os 16 avos de final.
Face aos resultados dos outros grupos, Portugal já entrou em campo para o terceiro jogo apurado e a lutar com os colombianos pelo primeiro lugar da 'poule', mas para isso precisava de vencer a partida disputada em Miami Gardens.
A formação lusa esteve novamente longe do seu potencial e ficou mais perto de perder do que de ganhar, valendo à equipa a exibição do guarda-redes Diogo Costa, que segurou o 'nulo'.
Seguia-se a Croácia nos 16 avos de final, num jogo já sem margem de erro, disputado em Toronto, no Canadá, e com forte apoio da comunidade portuguesa.
Depois de uma primeira parte dominada por Portugal, os croatas surgiram mais fortes no segundo tempo e adiantaram-se com um golo de Perisic, mas equipa lusa fez a reviravolta, com tentos de Cristiano Ronaldo, de penálti, e Gonçalo Ramos, já em período de descontos.
Apesar do triunfo, Portugal viveu um segundo tempo de muitos sobressaltos, com a Croácia a ter várias oportunidades de golo, numa partida que podia 'cair' para qualquer um dos lados e em que Diogo Costa voltou a ser decisivo.
Com críticas ao desempenho da equipa, às escolhas de Roberto Martínez e ao capitão Cristiano Ronaldo, Portugal tinha pela frente a Espanha, nos oitavos de final, em jogo marcado para Arlington, no regresso aos Estados Unidos.
Num duelo frente aos atuais campeões europeus, que Portugal bateu na final da Liga das Nações de 2025, no desempate por penáltis, foram os espanhóis que estiveram por cima do jogo e sempre com mais iniciativa ofensiva.
Entre algumas oportunidades desperdiçadas, uma delas com Diogo Costa a travar de forma incrível um remate de Baena, Portugal viu Nuno Mendes rematar à barra e foi castigado já perto do final.
Se com a Croácia os descontos trouxeram boas notícias, na segunda-feira foi o inverso, com Mikel Merino, aos 90+1 minutos, a fazer o único golo da partida e a enviar Portugal mais cedo para casa.
No final da partida, o selecionador Roberto Martínez anunciou um fim de ciclo e a sua saída do cargo e o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, reconheceu que os objetivos não foram atingidos.
Já Ronaldo, de 41 anos, confirmou durante a prova que seria o seu último Mundial, mas não se pronunciou sobre o seu futuro na seleção, deixando a competição com mais alguns recordes no currículo.
Com os três golos apontados, tornou-se no melhor marcador português em Mundiais, com 11 golos, no único a marcar em seis fases finais do torneio e no mais velho a marcar num jogo a eliminar.
Pedro Proença terá agora a missão de escolher o novo selecionador de futebol, o primeiro nome da sua responsabilidade desde que chegou ao cargo, já com os olhos no Europeu de 2028.
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