"Estas provas podem inflacionar, mas também podem desinflacionar", analisou Artur Fernandes.
O valor de mercado dos jogadores nem sempre inflaciona em fases finais de grandes competições de seleções, admite o presidente da Associação Nacional de Agentes de Futebol (ANAF), antecipando mudanças de clube de alguns internacionais portugueses no verão.
"Estas provas podem inflacionar, mas também podem desinflacionar. Se, por um lado, um ou outro jogador pode sair com uma imagem muito boa, repare-se na imagem com que saíram os atletas dos Países Baixos ou da Alemanha, ao caírem de maneira retumbante quando não parecia ser suposto que perdessem. De alguma forma, não aumentaram o seu valor em termos de transferência", analisou à agência Lusa Artur Fernandes.
A exemplo de anteriores janelas de verão iniciadas em julho com provas internacionais de seleções ainda em andamento, "meia dúzia de jogadores vai sobressair mais do que o esperado" no Mundial2026 e protagonizará movimentações "fora da norma e inesperadas", embora um novo recorde de investimento num só atleta "não seja expectável nos próximos tempos".
"Para já, não veremos valores como no tempo do Neymar [que trocou o FC Barcelona pelo Paris Saint-Germain por 222 milhões de euros (ME) em 2017/18], mas é natural haver sempre um incremento do mercado, que tem um aumento significativo a cada ano. Isso faz parte da expectativa do próprio negócio. De outra forma, não seria um bom negócio", enquadrou.
Artur Fernandes levanta a hipótese de um eventual êxito da França, campeã em 1998 e 2018 e finalista derrotada em 2022, contribuir para alguma transação significativa na atual janela, que abriu na quarta-feira e termina no início de setembro junto dos principais campeonatos europeus.
O recorde deste defeso pertence ao médio Elliot Anderson, que foi contratado na semana passada pelo Manchester City ao Nottingham Forest por 135 ME, tornando-se o futebolista inglês mais caro da história.
Elliot Anderson completou os exames médicos nos Estados Unidos, onde estagiava com a seleção de Inglaterra, campeã em 1966, e vai formalizar a transferência quando regressar ao seu país, sendo um dos vários jogadores que mudaram de clube antes ou durante o Mundial2026.
"Às vezes, o fuso horário e a distância são impeditivos, mas a capacidade de fazer muitas coisas sem estar no local ajuda nos negócios que se quer executar. Não é esta prova que trará valores extraordinários às operações, seja para cima ou para baixo. Por outro lado, o facto de eles continuarem a jogar pode fazer com que aqueles que têm de tomar decisões, mas sentem algumas dúvidas ou medo de perder o emprego, digam aos presidentes dos seus clubes para assistir ao próximo encontro e ver se determinado atleta é o que parece. Isso acaba por atrasar as decisões", notou Artur Fernandes.
O presidente da ANAF e diretor da CAA Stellar, empresa de agenciamento envolvida na mudança de Elliot Anderson, ilustra que o avançado Gonçalo Ramos, ao serviço de Portugal, trocou na terça-feira o bicampeão europeu e pentacampeão francês Paris Saint-Germain pelos italianos do AC Milan, agora treinados pelo luso Ruben Amorim, sem "ter de sair de onde estava".
Autor do golo da reviravolta frente à Croácia (2-1), nos 16 avos de final, Gonçalo Ramos foi o segundo convocado pela equipa das 'quinas' a mudar de clube em plena fase final, após o médio Bernardo Silva, em fim de contrato com o Manchester City, ter rumado aos espanhóis do Real Madrid, orientados pelo regressado técnico português José Mourinho.
Artur Fernandes vê Diogo Costa (FC Porto), "um dos três melhores guarda-redes do mundo", e o defesa central Tomás Araújo (Benfica) em condições de trocarem futuramente a I Liga por patamares superiores, enquanto os extremos Francisco Conceição (Juventus) e Rafael Leão (AC Milan) podem receber abordagens face à "grande indefinição" nos seus emblemas, tendo, esta segunda-feira, pela frente a campeã europeia Espanha nos 'oitavos' do Mundial2026.
Quanto ao estreante Cabo Verde, o presidente da ANAF descarta que haja transações mediáticas, apesar do percurso acima das expectativas, terminado nos 16 avos de final, com uma derrota frente à campeã do mundo e bicampeã sul-americana Argentina (3-2, após prolongamento), detentora de três títulos (1978, 1986 e 2022).
"Os que eram bons e tinham algum potencial para apresentar nos maiores campeonatos já foram detetados há anos e não acredito que nenhum faça uma transferência incrível. Jogaram bem e, muitas vezes, aparece um 'outsider' a destacar-se nestas provas. De resto, o que eles possam valer individualmente nada tem a ver com o excelente desempenho, união e competitividade que conseguiram como equipa. Isso pode servir de exemplo para muitas outras seleções", finalizou.
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