"A história pode repetir-se": Bolsonaro cita golpes de Estado de outras épocas e deixa ameaça
Presidente brasileiro referiu que o Brasil vive neste momento um novo risco, o da volta do "comunismo" e do "mal-feito".
O presidente brasileiro e candidato à reeleição nas presidenciais de outubro, Jair Bolsonaro, ameaçou esta quarta-feira novamente dar um golpe de Estado, pouco antes de participar nas cerimónias militares que assinalaram em Brasília os 200 anos de independência do Brasil. Bolsonaro fez a declaração durante um pequeno-almoço para o qual chamou, numa clara provocação à justiça, parlamentares e empresários investigados pelo Supremo Tribunal Federal por atos anti-democráticos e após evocar outros momentos da história do Brasil em que a legalidade institucional foi violada pela força das armas.
"Quero dizer que o brasileiro passou por momentos difíceis, a história nos mostra. 22, 35, intentona comunista, 16 e 18. E agora, 2022, a história pode repetir-se", declarou Jair Bolsonaro, citando anos da história do país em que a liberdade e a democracia foram sufocadas por golpes militares ou apoiados por militares que deram início a ditaduras sanguinárias, como a última vivida pelos brasileiros, que começou em 1964 e só terminou em 1985 e a que o governante já se tinha referido no seu discurso.
Envergando a faixa presidencial e rodeado por políticos e empresários ultra-radicais, Jair Bolsonaro citou ainda outros episódios traumáticos recentes da história do Brasil, como a destituição da ex-presidente Dilma Rousseff, do Partido dos Trabalhadores, em 2016, e referiu que o Brasil vive neste momento um novo risco, o da volta do "comunismo" e do "mal-feito", aludindo ao facto de as sondagens eleitorais vaticinarem a vitória nas presidenciais de outubro ao seu arqui-inimigo Lula da Silva, do mesmo partido da presidente destituída. E, falando específicamente para a emissora estatal de televisão, reforçou a convocação a seguidores para irem esta quarta-feira às ruas de todo o Brasil para o apoiar, misturando a efeméride histórica dos 200 anos de independência com actos de cunho claramente eleitoral.
"Estamos aqui porque acreditamos no nosso povo e o nosso povo acredita em Deus. Tenho certeza de que, com preserverança, fazendo tudo aquilo que podemos fazer, continuaremos orgulhosos do futuro que podemos deixar. Então, o povo que vá hoje às ruas comemorar 200 anos de independência e uma eternidade de liberdade. Ainda dá tempo. O que está em jogo é a nossa liberdade e o nosso futuro", exortou Bolsonaro.
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