Ausência de 'pesos-pesados', desistências e ataques marcam primeiro debate das presidenciais brasileiras de 2026
Disputa programática inexistente entre os três participantes deu lugar ao ataque a Lula e Flávio, enquanto Zema 'caiu' no esquecimento.
O primeiro debate presidencial das presidenciais brasileiras de 2026, realizado esta segunda-feira (fuso horário de Portugal), ficou marcado pela ausência de alguns dos principais nomes da corrida: Lula e Flávio Bolsonaro haviam anunciado que não participariam, enquanto Romeu Zema desistiu no próprio dia.
Augusto Cury chegou a anunciar - já no estúdio da emissora transmissora, a BAND TV, e cerca de uma hora antes do início - que não participaria do debate, porém o candidato voltou atrás.
O ataque triplo à ausência de dois 'pesos-pesados'
Renan Santos (Missão), Caiado (PSD), e Augusto Curry (Avante) arrancaram o debate com críticas à ausência de Lula e Flávio que, apesar de não presentes, tiveram os seus nomes muitas vezes referidos. Contrariamente ao nome de Romeu Zema, que acabou ofuscado e nem sequer mencionado pelo trio.
Segurança, economia e educação: as apostas dos três candidatos
Renan Santos abriu o debate criticando a ausência de Lula e Flávio e defendeu medidas de emergência contra as facções, incluindo GLO, superprisões e maior integração entre as polícias. Ao longo do encontro, voltou a defender uma ofensiva direta contra o crime organizado e chegou a falar em “banho de sangue” contra membros de facções.
Caiado concentrou parte de seu discurso na segurança pública e na economia. Disse que o Brasil vive “em clima de guerra” por causa das facções e prometeu ampliar a supervisão das prisões. Na economia, defendeu um choque de credibilidade, controle de despesas e afirmou que pretende levar os juros a “patamares de 6%” e a inflação para 3% ou 4%.
Augusto Cury apostou principalmente na educação, qualidade de vida e combate à corrupção. Defendeu a reformulação do ensino fundamental, com disciplinas como empreendedorismo, gestão financeira e oratória, além de cursos profissionais. Também apoiou o fim da escala 6x1 e a adoção da 5x2.
Da política externa ao confronto final
Um dos momentos mais tensos ocorreu nos confrontos entre Renan e Cury. Renan criticou os eleitores de Lula e fez novos ataques ao ex-presidente e a Flávio Bolsonaro. Cury respondeu que a agressividade de Renan “asfixia” a capacidade das pessoas de formar as suas próprias opiniões e defendeu um debate baseado em ideias.
Na política externa, Cury prometeu “pacificar” a relação com os Estados Unidos e “repaginar” as embaixadas brasileiras. Caiado, por sua vez, acusou a diplomacia brasileira de se ter transformado em “porta-voz do PT”.
No último bloco, os ataques a Lula e Flávio voltaram ao centro. Caiado defendeu tornar obrigatória a participação dos candidatos nos debates. Renan chamou Flávio de “covarde” e fez novos ataques pessoais ao senador, enquanto Caiado também cobrou explicações de Lula e Flávio sobre casos que mencionou durante o debate.
Nas considerações finais, Renan colocou um papel com a palavra “ladrão” sobre o púlpito que seria ocupado por Lula, Caiado reforçou a sua experiência de 40 anos na política e Cury encerrou com um discurso mais pessoal, apresentando a sua trajetória e prometendo formar um “time de ouro” para governar o país.
Os ausentes também marcaram o debate
No próprio dia do debate, a TV Globo anunciou uma entrevista com Lula para o mesmo horário do confronto na Band. Já Pablo Marçal, impedido pelo TSE de participar do debate por estar inelegível até 2032, fez uma live no Instagram durante a transmissão.
Até à primeira volta, marcada para 4 de outubro, estão previstos outros três debates presidenciais:
• 14 de setembro, às 22h
• 27 de setembro, por volta das 21h
• 1º de outubro, por volta das 21h20
Ainda não está confirmada a presença de Lula nos próximos debates. O presidente afirmou que pretende avaliar o “nível do debate” e que não quer participar para “ouvir bobagem”. Em julho, ao comentar a possibilidade de participar, disse: “Por que vou fazer um debate com um cara que não tem compromisso com ninguém?”
A ausência de Lula também pode levar Flávio Bolsonaro a não participar, como ocorreu no primeiro debate. Pela legislação eleitoral, as emissoras são obrigadas a convidar candidatos de partidos, federações ou coligações com pelo menos cinco representantes no Congresso. Em 2026, isso inclui Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado e Augusto Cury. Outros nomes, como Romeu Zema e Renan Santos, podem ser convidados pelas emissoras.
Com a possibilidade da segunda volta, a Band já se comprometeu a realizar um novo debate entre 7 e 18 de outubro. A Record marcou o seu para 18 de outubro, às 21h locais (01h em Portugal Continental), enquanto a Globo ainda não divulgou a data.
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