Defesa de Lindsay Clancy pede investigação a jurado que impediu veredicto
Kevin Reddington quer que seja analisada a utilização do telemóvel do jurado Michael Desronvil durante as deliberações.
A defesa de Lindsay Clancy, a mulher norte-americana acusada de matar os três filhos, pede ao tribunal que investigue o jurado que esteve no centro do impasse que levou à anulação do julgamento. O processo terminou dia 4 de setembro sem veredicto, depois de o júri não ter conseguido chegar a uma decisão unânime.
O advogado de Lindsay, Kevin Reddington, quer que o tribunal analise a utilização do telemóvel do jurado durante as deliberações. A defesa pediu ainda que sejam examinadas as respostas dadas pelo homem durante o processo de seleção do júri, incluindo os questionários preenchidos antes do início do julgamento, de acordo com a BBC.
Kevin Reddington pediu especificamente ao tribunal que analise chamadas e mensagens feitas pelo jurado entre as 08h00 e as 16h30, hora local, durante todos os dias em que o júri esteve reunido para deliberar. O advogado pretende também verificar se o jurado respondeu de forma verdadeira às perguntas que lhe foram colocadas durante a seleção.
O jurado em causa é Michael Desronvil, o único dos 12 elementos que se recusou a considerar Lindsay Clancy não criminalmente responsável pelas mortes. Segundo vários jurados, a votação acabou dividida em 11-1 a favor dessa conclusão. Desronvil, contudo, afirmou não ter dúvidas sobre a culpa da arguida e sustentou que existiam provas suficientes de que Clancy "sabia exatamente o que estava a fazer".
A presidente do júri, uma professora reformada, afirmou que Michael Desronvil admitiu ter dúvidas razoáveis sobre a culpa de Lindsay, mas que, ainda assim, se recusou a votar pela sua absolvição por inimputabilidade. Michael Desronvil nega ter feito essa afirmação.
O advogado de Michael Desronvil classificou o pedido da defesa como um ataque ao jurado por ter cumprido o seu dever cívico. Na rede social X, considerou o requerimento "repugnante" e afirmou que questionar um jurado por discordar da defesa coloca em causa o direito constitucional a um julgamento justo.
The Looney Tunes motion filed yesterday by Kevin "Shooter McGavin" Reddington to investigate Michael is not just an attack on Michael for being the courageous lone holdout juror. Reddington's motion is actually a full-frontal attack on the U.S. Constitution. Because if the new…
— Edward Andrew Paltzik, Attorney (@EdPaltzik) September 22, 2026
Lindsay Clancy não contesta ter matado os três filhos. A defesa sustentou, contudo, que a mulher não deveria ser considerada criminalmente responsável pelos atos, alegando que sofria de psicose pós-parto no momento das mortes.
Os procuradores apresentaram uma versão diferente dos acontecimentos e defenderam que Clancy tomou uma decisão calculada ao mandar o marido para fora de casa para realizar uma tarefa, aproveitando a sua ausência para estrangular os filhos.
Num requerimento separado, o advogado Kevin Reddington pediu ainda que o processo contra Clancy seja arquivado. Até ao momento, os procuradores ainda não anunciaram se pretendem levar a arguida novamente a julgamento.
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