Encontrado corpo de jornalista assassinado no noroeste da Colômbia
Jornalista de 25 anos desapareceu na terça-feira enquanto "realizava trabalho jornalístico" numa zona disputada entre os municípios de Briceño e Yarumal.
Uma comissão humanitária encontrou o corpo do jornalista colombiano Mateo Pérez Rueda, diretor da revista digital El Confidente e assassinado no departamento de Antioquia, no noroeste da Colômbia, confirmou na sexta-feira a Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP).
"Lamentamos e condenamos o assassinato de Mateo Pérez Rueda, diretor do El Confidente, em Yarumal, Antioquia. Após vários dias de incerteza, uma comissão humanitária recuperou o seu corpo, confirmando as provas do seu assassinato", frisou a FLIP na rede social X.
O jornalista de 25 anos desapareceu na terça-feira enquanto "realizava trabalho jornalístico" numa zona disputada entre os municípios de Briceño e Yarumal, um conflito entre o Clã do Golfo, a principal organização criminosa do país, e a Frente 36 dos dissidentes das FARC.
A FLIP recordou que Pérez "se tornou uma voz fundamental para a comunidade local" porque o seu 'site' "reportava e cobria a corrupção, a ordem pública, a segurança e a política local".
"As suas publicações trouxeram à tona problemas que afetam diretamente as comunidades. Por esse motivo, Mateo enfrentou pressões legais, como injunções e intimações para audiências de conciliação, devido às suas investigações sobre economias ilícitas ligadas a grupos armados", acrescentou a organização.
A fundação solicitou que o Ministério Público "ative imediatamente os protocolos de investigação com uma abordagem diferenciada com base no estatuto jornalístico, analise o contexto e a agenda jornalística de Mateo e proteja familiares, colegas e outras testemunhas deste crime".
Este homicídio, segundo a FLIP, demonstra que "o jornalismo regional na Colômbia continua a ser realizado em condições extremamente vulneráveis, sob pressão de grupos armados ilegais e economias ilícitas".
Desde 2022 foram registados 387 ataques contra a imprensa por parte de grupos armados.
A FLIP apelou ainda ao Governo para que "deixe de ser indiferente" a estes ataques "e adote medidas reais de proteção para aqueles que estão em risco e em situações vulneráveis".
O Ministro da Justiça, Jorge Iván Cuervo, manifestou a sua "profunda tristeza" pela morte do repórter e afirmou que "o exercício do jornalismo deve ser isento de violência".
"Cada morte de um jornalista afeta a liberdade de imprensa, a essência de uma sociedade democrática", acrescentou o ministro.
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