MNE destaca ensino da língua e programa para jovens da diáspora durante visita a Newark

Paulo Rangel realçou a forte procura pelo ensino da língua e cultura portuguesas, sublinhando que os projetos existentes têm qualidade e atraem mais alunos do que aqueles que conseguem atualmente acomodar.

30 de maio de 2026 às 07:19
Paulo Rangel Foto: Manuel de Almeida/Lusa
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O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) destacou, durante uma visita à cidade norte-americana de Newark, a necessidade de reforçar o ensino do português nas comunidades e anunciou o desenvolvimento de um programa de intercâmbio para estudantes lusodescendentes.

Na sexta-feira, durante uma visita a Newark, cidade no estado de Nova Jérsia com uma significativa comunidade portuguesa, Paulo Rangel deu especial destaque aos serviços consulares, ao ensino da língua portuguesa e à valorização da diáspora nos centros de decisão.

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Em declarações à Lusa no centenário Sport Club Português de Newark, após uma passagem pela Escola Luís de Camões, o ministro realçou a forte procura pelo ensino da língua e cultura portuguesas, sublinhando que os projetos existentes têm qualidade e atraem mais alunos do que aqueles que conseguem atualmente acomodar.

Durante a visita, Rangel reconheceu que uma das principais necessidades é aumentar o número de professores de português no estrangeiro, frisando que existe procura crescente por aulas e atividades ligadas à língua portuguesa, mas faltam recursos humanos para responder a essa procura.

Destacou igualmente que está a ser desenvolvido pelo Governo um programa inspirado no modelo "Erasmus", mas destinado a filhos e netos de emigrantes portugueses, numa iniciativa que permitiria que jovens do ensino secundário e universitário realizassem períodos de estudo em Portugal, reforçando a ligação ao país.

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"Isso é um projeto que está ainda a ser desenhado na Secretaria de Estado das Comunidades, que é ter um programa para os jovens da diáspora. Neste caso, estamos a falar dos filhos e dos netos de emigrantes portugueses, para fazerem estudos em Portugal, em períodos pequenos", explicou à Lusa.

"Primeiro era só uma ideia do programa de Governo e agora é já claramente um projeto que está a ser desenhado. Isto vale para jovens do [ensino] secundário já numa idade mais madura, de 15, 16, 17 anos. Portanto, não estamos a falar obviamente do [ensino] básico, porque põe em causa outras questões, porque são crianças ainda muito jovens e muito pequenas. Mas também para universitários", acrescentou.

Num discurso perante dezenas de membros da comunidade portuguesa, no Sport Club Português, o MNE deu também especial foco ao programa "Portugal Nação Global", que pretende mobilizar investimento das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo.

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Paulo Rangel indicou que muitos emigrantes não pretendem regressar definitivamente a Portugal, mas querem manter uma ligação económica ao país e, nesse sentido, o objetivo do Governo é criar mecanismos que facilitem o investimento da diáspora em Portugal.

Pretende-se criar uma rede mais organizada de contactos e oportunidades, aproveitando o potencial económico das comunidades portuguesas, explicou.

Questionado sobre uma eventual redução da burocracia, respondeu que a intenção é criar um canal mais estruturado e favorável ao investimento da diáspora, admitindo que atualmente existe um grande potencial que nem sempre é aproveitado por falta de coordenação e de trabalho em rede.

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Em particular sobre a comunidade portuguesa de Newark, Rangel enalteceu o facto de manter viva a cultura, a língua e as tradições portuguesas nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que enriquece a sociedade norte-americana.

O ministro sublinhou que o Dia de Portugal em Newark é uma das maiores celebrações da diáspora portuguesa no mundo, atraindo "uma média de 200 mil a 250 mil pessoas todos os anos", e enquadrou estas festividades como resultado direto da mobilização, generosidade e trabalho da comunidade portuguesa local.

O chefe da diplomacia portuguesa encontra-se em visita aos Estados Unidos a propósito das eleições para o Conselho de Segurança da ONU, agendadas para quarta-feira em Nova Iorque e nas quais Portugal é candidato a membro não permanente.

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