Padre desvia três milhões de euros por mês ao fiéis
Sacerdote é acusado de cinco crimes, entre eles apropriação indébita.
O Ministério Público do estado de Goiás, no Brasil, investigou o Padre Robson de Oliveira, presidente da Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe) e reitor do Santuário Basílica de Trindade apurando que foram desviados, através da associação, cerca de 20 milhões de reais (três milhões de euros) por mês vindos de doações dos fiéis.
O MP de Goiás descobriu ainda que o padre terá usado, nos últimos três anos, 120 milhões de reais (20 milhões de euros) doadas pelos crentes para a construção de obras religiosas e apoio à religião. A investigação teve início devido a movimentações bancárias da Associação Afipe que se direccionavam para negócios na área dos imóveis, propriedades rurais, cabeças de gado e emissoras de rádio, mas nunca para questões religiosas.
O padre fundou a Afipe que é responsável pela administração do Santuário Basílica de Trindade em 2004, com o objetivo de apoiar os fiéis.
O MP de Goiás acusou o padre de apropriação indébita, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos, sonegação fiscal e associação criminosa pedindo prisão para o sacerdote. No entanto, a justiça negou o pedido.
Segundo a juíza do caso o padre "é líder religioso e de bons antecedentes" e não há provas suficientes para condená-lo à prisão.
As investigações começaram depois do padre ser vítima de extorsão, em 2017, por parte de hackers que conseguiram aceder ao computador e telemóvel de Robson.
Segundo o Ministério Público, o padre transferiu cerca de 2 milhões das contas da Afipe para os criminosos que o chantageavam com imagens e mensagens pessoais, amorosas e profissionais.
Após ter sido chantageado, o padre entrou em contacto com a polícia e aceitou colaborar com as investigações.
Antes do início das investigações, o Vaticano já tinha conhecimento e acompanhava o processo.
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