Falta pouco mais de uma semana, mas o resultado das próximas eleições presidenciais russas já está escrito: salvo qualquer imprevisto de última hora, Dmitry Medvedev será o próximo presidente russo.
Vladimir Putin fez dele o seu sucessor designado e na Rússia de hoje o que Putin quer, Putin consegue. Medvedev não é propriamente um principiante, mas também não se lhe conhecem grandes méritos políticos para além de uma imensa lealdade a Putin, à sombra de quem fez a sua carreira.
Sem carisma ou base de apoio popular, o próximo presidente russo é uma verdadeira incógnita para os analistas. Os críticos dizem que se trata de um “burocrata com sorte”, um indivíduo apagado e facilmente manipulável, escolhido por isso mesmo – a voz será a sua, mas as palavras que os russos continuarão a escutar serão as de Putin.
O próprio Medvedev não se preocupa muito em desmentir esta ideia. Nas poucas entrevistas que deu não poupou elogios a Putin e às suas políticas, prometeu “seguir o curso” por ele traçado e chegou ao ponto de afirmar que qualquer candidato às presidenciais deveria, antes de tudo, “prometer não estragar” o trabalho feito pelo presidente cessante. Não nega que, mesmo depois de deixar o Kremlin, Putin continuará a ser uma referência. “Após as eleições, a autoridade do presidente Putin continuará a ser enorme e como pessoa mais influente deste país terá certamente uma grande influência sobre a opinião pública”, admitiu.
Sem ligações conhecidas a qualquer partido ou ideologia política, Medvedev é descrito como um liberal. Com apenas 42 anos, representa uma nova geração de políticos que nunca conheceram as amarras do sistema comunista.
Conheceu Putin nos anos noventa em São Petersburgo – o antigo chefe do KGB era seu chefe no Gabinete de Relações Externas da Câmara local. Trabalhador leal e dedicado, foi um dos membros do chamado clã de São Petersburgo que Putin levou para o Kremlin quando foi nomeado primeiro-ministro por Ieltsin em 1999. “Medvedev era um economista, um tecnocrata, não era um homem público e continua a não ser”, afirma um amigo desses tempos.
Na capital, Dmitry Medvedev subiu rapidamente na hierarquia e na estima de Putin, que no ano seguinte fez dele o director da campanha à presidência. Reconhecido pelo bom trabalho, nomeou-o presidente da Gazprom, o gigante energético do país. Reconduzido no cargo em 2002, após uma breve passagem pela vice-presidência da empresa, passaria a acumular as funções com as de chefe de gabinete de Vladimir Putin a partir de 2003.
A sua nomeação como primeiro vice-primeiro-ministro, em 2005, colocou-o na invejada lista de sucessores do presidente. Numa espécie de teste, Putin colocou-o à frente do programa de Projectos Especiais – iniciativas destinadas a canalizar a nova riqueza do país para projectos sociais. Em Dezembro, foi finalmente nomeado ‘o sucessor’. Uma escolha que surpreendeu observadores e irritou os ‘falcões’ do Kremlin – os ‘siloviki’ (‘os duros’), como são conhecidos os membros do gabinete de Putin ligados aos serviços secretos.
Vários analistas sugerem que ao escolher Medvedev em vez de, por exemplo, o actual chefe da diplomacia, Sergei Lavrov – um dos ‘siloviki’ –, Putin pretendeu travar o poder excessivo da ala dura. Outros, mais cínicos, dizem que escolheu o candidato mais fraco e manipulável para continuar a a dar ordens dos bastidores.
O que é certo é que basta o selo de aprovação de Putin para Medvedev ter a eleição garantida – as últimas sondagens mostram que já é quase tão popular quanto o presidente cessante. Para isso contribuiu, e muito, a máquina propagandística do Kremlin, que do dia para a noite fez de Medvedev um dos rostos mais conhecidos do país: não há noticiário em que ele não apareça – enquanto que dos restantes candidatos, nem sinal.
A FIGURA: FORMADO EM DIREITO
Dmitry Anatolevich Medvedev nasceu a 14 de Setembro de 1965 em Leninegrado (actual São Petersburgo), filho de um casal de professores. Formado em Direito, deu aulas na Universidade local ao mesmo tempo que trabalhava como consultor para a câmara – foi aí que conheceu Putin, que o levou para Moscovo em 1999. Foi director de campanha e chefe de gabinete do presidente antes de ser nomeado vice-primeiro-ministro em 2005, cargo que acumulou com a presidência do grupo Gazprom. É casado e tem um filho.
ASSUSTOU MEIA EUROPA
Apesar da escassa experiência política – nunca foi eleito para qualquer cargo por voto popular – Medvedev tem larga experiência em matéria económica, graças à ligação ao gigante Gazprom, do qual é presidente desde 2002. Negociador inflexível, não hesitou em deixar meia Europa de coração nas mãos, há dois anos, quando decidiu cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia, devido à disputa de preços que ficou conhecida como a ‘guerra do gás’. Há quem diga que por detrás da sua firmeza estava o dedo de Putin, mas o que é certo é que, a partir daí, a Europa nunca mais viu a Rússia como um parceiro fiável em matéria energética.
UM PRESIDENTE FÃ DE HEAVY METAL
Apesar da escassa experiência política – nunca foi eleito para qualquer cargo por voto popular – Medvedev tem larga experiência em matéria económica, graças à ligação ao gigante Gazprom, do qual é presidente desde 2002. Negociador inflexível, não hesitou em deixar meia Europa de coração nas mãos, há dois anos, quando decidiu cortar o fornecimento de gás natural à Ucrânia, devido à disputa de preços que ficou conhecida como a ‘guerra do gás’. Há quem diga que por detrás da sua firmeza estava o dedo de Putin, mas o que é certo é que, a partir daí, a Europa nunca mais viu a Rússia como um parceiro fiável em matéria energética.
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