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Advogado próximo de Bolsonaro abandona processos depois de também ser incriminado pela polícia

Wajngarten foi pessoalmente aos EUA recomprar um Rolex que o ex-presidente tinha vendido para poder dizer que a joia nunca tinha saído do Brasil.

08 de agosto de 2024 às 15:59

O advogado e ex-ministro Fábio Wajngarten, aliado de longa data e um dos principais defensores jurídicos do ex-presidente Jair Bolsonaro, anunciou esta quinta-feira que vai deixar de atuar nos inúmeros processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF), contra o antigo governante, e que continuarão a ser atendidos por outros profissionais.

Wajngarten, conhecido pela combatividade e afinamento ideológico com Bolsonaro, tomou a decisão depois de ele próprio ter sido incriminado pela Polícia Federal (PF) no processo em que defendia o ex-presidente da acusação de se ter apropriado indevidamente de presentes valiosos dados ao Brasil por outros países durante o seu mandato e de ter vendido parte deles nos EUA e ficado com o dinheiro.

Segundo relatório enviado em julho, passado pela Polícia Federal ao STF, Wajngarten participou diretamente na atrapalhada tentativa de aliados de Bolsonaro de esconderem os crimes de que o antigo chefe de Estado é acusado, recomprando presentes em lojas dos EUA para os entregarem à justiça brasileira quando o escândalo eclodiu, em 2023.

No documento, a polícia afirma que Wajngarten foi pessoalmente aos EUA recomprar um Rolex de ouro que Bolsonaro tinha vendido numa loja especializada e que o levou de volta ao Brasil para o ex-presidente poder dizer que a joia nunca tinha saído do país.

Ao anunciar a sua saída dos processos envolvendo Jair Bolsonaro, Wajngarten, que no governo do aliado foi ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, desabafou que era obrigado a isso para cumprir o código de ética da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, que proíbe advogados de defenderem arguidos em processos em que eles próprios sejam investigados.

Para o advogado, todas as acusações, contra ele e contra Bolsonaro, são falsas, são meras conjeturas da Polícia Federal e inserem-se no que chamou uma política orquestrada de criminalização da política e da advocacia.

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