Questão vai estar em destaque na cimeira do G7.
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O Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, disse este sábado num discurso transmitido em cadeia nacional por rádio e redes de televisão que os incêndios florestais na Amazónia não podem servir de pretexto para sanções internacionais.
"Incêndios florestais existem em todo mundo e isto não pode servir de pretexto para sanções internacionais. O Brasil continuará sendo, como foi até hoje, um país amigo de todos e responsável pela proteção da sua floresta amazónica", declarou.
Num discurso de cinco minutos, o chefe de Estado brasileiro afirmou que diversos países desenvolvidos ainda não conseguiram avançar com os seus compromissos no âmbito do Acordo de Paris e que o Brasil está aberto ao diálogo.
"Seguimos abertos ao diálogo, com base no respeito, na verdade e cientes da nossa soberania. Outros países se solidarizaram com o Brasil, ofereceram meios para combater as queimadas, bem como se prontificaram em levar a posição brasileira junto do G7", disse.
Estas declarações do Presidente brasileiro foram uma resposta a um movimento liderado pelos governos da França e Irlanda, que colocaram em causa o acordo de livre comércio assinado entre a União Europeia (EU) e o Mercado Comum do Sul (Mercosul) por causa da subida da desflorestação e das queimadas na floresta amazónica no Brasil.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, apelou para que os incêndios na Amazónia sejam discutidos na cimeira do G7, que se realiza este fim de semana, em Biarritz, sudoeste de França, por se tratar de uma "crise internacional".
Participam na cimeira os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.
"A proteção da floresta é nosso dever, estamos cientes disso e atuando para combater a desflorestação ilegal e quaisquer outras atividades criminosas que coloquem a nossa amazónia em risco", destacou.
O Presidente do Brasil também frisou que considera importante melhorar a condição económica de 20 milhões de brasileiros que vivem na região da floresta amazónica.
"Para proteger a Amazónia não bastam operações de fiscalização, comando e controlo, é preciso dar oportunidade a toda esta população para que se desenvolva junto com o restante do país', avaliou.
"O emprego extensivo de pessoal e equipamentos das Forças Armadas auxiliares e das outras agências permitirão não apenas combater as atividades ilegais, como também conter o avanço de queimadas na região", pontuou.
O acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercado Comum do Sul (Mercosul), que integra Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi fechado a 28 de junho, depois de 20 anos de negociações.
O pacto abrange um universo de 740 milhões de consumidores, que representam um quarto da riqueza mundial.
O número de incêndios no Brasil aumentou 83% este ano, em comparação com o período homólogo de 2018, com 72.953 focos registados até 19 de agosto, sendo a Amazónia a região mais afetada
A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta.
Tem cerca de 5,5 milhões de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (pertencente à França).
O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) brasileiro anunciou que a desflorestação da Amazónia aumentou 278% em julho, em relação ao mesmo mês de 2018.
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