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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Angolano que denunciou alegado envolvimento de autoridades em narcotráfico "teme envenenamento" em Moçambique

Autoridades governamentais, em Luanda, ainda não se pronunciaram sobre o caso 'Man-Genas'.

05 de abril de 2023 às 14:43

O cidadão angolano Gelson Emanuel Quintas 'Man-Genas', há mais de um ano sob custódia com a família em Moçambique por denunciar alegado envolvimento de altas autoridades angolanas no narcotráfico, "teme por envenenamento alimentar", disse esta quarta-feira a UNITA, oposição angolana.

Um grupo de deputados da União Nacional para Independência Total de Angola (UNITA) esteve em Moçambique de 21 a 26 de março passado para interceder junto das autoridades e sociedade civil daquele país pela proteção e liberdade de 'Man-Genas'.

Esta quarta-feira, em conferência de imprensa, em Luanda, o chefe da delegação parlamentar da UNITA, Olívio Quilumbo, apresentou o relatório da visita tendo referido que o estado de saúde daquele angolano "é débil e carece de cuidados".

"O 'Man-Genas' teme ser vítima de envenenamento alimentar. A esposa, em estado de gestação, denuncia ter-lhe sido negada a assistência médica há mais de um mês", disse, referindo que a mesma carece de acompanhamento pré-natal.

A esposa do cidadão 'Man-Genas', referiu o deputado da UNITA, teme também pela sua vida "durante o parto previsto para muito breve".

Segundo o relatório, a delegação parlamentar da UNITA foi impedida de contactar diretamente o cidadão e a sua família aí retidos e que a interação apenas foi possível por via telefónica.

'Man-Genas' denunciou, há mais de um mês por via das redes sociais, suposto envolvimento de altas figuras da polícia nacional e do Serviço de Investigação Criminal (SIC) angolano no narcotráfico.

Este, a mulher e mais dois filhos decidiram abandonar o país por alegada "pressão das autoridades" e pelo temor da vida, como denunciaram várias vezes nas redes sociais, sobretudo após chegarem a Moçambique, a partir de uma esquadra policial, onde se encontram.

A mulher de 'Man-Genas', em vídeos partilhados nas redes sociais, clama por ajuda, por assistência médica e denuncia também tentativas de assassinato naquele país lusófono.

Os deputados da UNITA disseram ter sido recebidos pelo embaixador e Angola em Moçambique para saber da situação jurídico-legal e humanitária de Gelson Emanuel Quintas, sua mulher e filhos.

Estes mantiveram também encontro com o Serviço Nacional de Migração (SENAMI) moçambicano, onde solicitaram esclarecimentos sobre a situação dos angolanos naquele país, "mas não houve disposição por parte dos responsáveis máximos".

O Ministério do Interior de Moçambique e o SENAMI "manifestaram falta de abertura e disponibilidade" para atender a solicitação da delegação do grupo parlamentar da UNITA, lê-se no relatório.

Ambas instituições, observam os deputados dos "maninhos", indeferiram a sua solicitação formal para a visita e contacto direto com 'Man-Genas' e família.

Recomendam que os ministérios das Relações Exteriores, do Interior e da Saúde da República de Angola, em concertação com os ministérios homólogos de Moçambique, assegurem e garantam condições de asilo, segurança e assistência médica à família de 'Man-Genas'.

Pedem também que a Procuradoria-Geral da República (PGR) angolana, no quadro dos acordos judiciários entre os dois Estados, investigue e apure as denúncias feitas pelo cidadão e que as organizações dos direitos humanos e a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos se mobilizem para chamar atenção sobre a "gravidade" da situação do cidadão angolano e família.

"Que os Estados africanos, verdadeiramente comprometidos com o combate contra o narcotráfico, retirem lições sobre o alegado envolvimento de agentes públicos com rede de traficantes de drogas", recomendam ainda.

Os deputados da UNITA mantiveram igualmente encontros com o presidente do grupo parlamentar da RENAMO -- Resistência Nacional de Moçambique (oposição) -, com atores da sociedade civil moçambicana e falou para órgãos de comunicação locais e internacionais no sentido de informar e sensibilizar sobre a situação da família em causa.

As autoridades governamentais, em Luanda, ainda não se pronunciaram sobre o caso 'Man-Genas'.

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