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António Costa promete firmeza europeia na defesa do território após tarifas de Trump

Presidente norte-americano disse que irá cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus, devido à oposição ao controlo da Gronelândia.

17 de janeiro de 2026 às 18:44

O presidente do Conselho Europeu afirmou este sábado que a União Europeia será firme na defesa do direito internacional do seu território, depois do Presidente dos EUA ter ameaçado cobrar taxas sobre europeus que se oponham ao controlo da Gronelândia.

"O que podemos dizer é que a União Europeia será sempre muito firme na defesa do direito internacional, seja onde for. E, claro, a começar no território dos Estados-membros da União Europeia", prometeu António Costa, numa curta conferência de imprensa após a assinatura do histórico acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul.

"Por agora, estou a coordenar uma resposta conjunta dos Estados-membros da União Europeia sobre este tema", disse o ex-primeiro-ministro.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, disse este sábado que irá cobrar uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre mercadorias de oito países europeus, devido à oposição ao controlo dos Estados Unidos sobre a Gronelândia.

Enaltecendo o histórico acordo que este sábado foi assinado entre os dois blocos, que reforça o multlateralismo e cujas negociações demoraram mais de 25 anos, António Costa disse que a União Europeia veio cá "não apenas para afirmar a criação da maior zona económica do mundo, mas também para enviar uma mensagem muito clara ao mundo".

"Hoje em dia, o que é necessário não é conflito, mas paz; o que é necessário não são conflitos entre países, mas cooperação. O que é fundamental é defender sempre o direito internacional, seja onde for", frisou.

"Se a Rússia invadir a Ucrânia, temos de nos levantar para defender a integridade territorial, a soberania e o direito internacional na Ucrânia", tal como acontece na Venezuela, disse, reforçando que se os países querem prosperidade têm "de abrir os mercados e não fechá-los"

"Temos de abrir os mercados e não fechá-los, temos de criar zonas de integração económica e não aumentar os direitos aduaneiros", sublinhou o presidente do Conselho Europeu.

As declarações de Costa surge quando questionado a responder sobre a publicação nas redes sociais de Trump que disse que a Dinamarca, a Noruega, a Suécia, a França, a Alemanha, o Reino Unido, os Países Baixos e a Finlândia enfrentarão a tarifa, que seria elevada para 25% a 01 de junho, se não for assinado um acordo para a "compra completa e total da Gronelândia" pelos Estados Unidos.

Entretanto, centenas de pessoas na capital da Gronelândia enfrentaram este sábado temperaturas próximas de zero, chuva e ruas geladas para marchar em apoio da sua autogovernação, face às ameaças de uma tomada de poder pelos Estados Unidos.

Os groenlandeses agitavam as suas bandeiras nacionais vermelhas e brancas e ouviam canções tradicionais enquanto caminhavam pelo pequeno centro de Nuuk.

Alguns transportavam cartazes com mensagens como "Nós moldámos o nosso futuro", "A Gronelândia não está à venda" e "A Gronelândia já é grande". Foram acompanhados por milhares de outras pessoas em manifestações por todo o reino dinamarquês.

Trump insiste há meses que os Estados Unidos devem controlar a Gronelândia, um território semiautónomo da Dinamarca, membro da NATO, e disse no início desta semana que qualquer coisa menos do que a ilha ártica estar em mãos americanas seria inaceitável.

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