Bolsonaro demite ministro que se envolveu em polémica com o seu filho

Carlos Bolsonaro abriu guerra com Gustavo Bebianno e ministro acabou por cair.

Com apenas pouco mais de um mês e meio de governo, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, demitiu esta segunda-feira um dos homens do seu círculo político mais próximo, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno. O agora ex-ministro foi quem comandou todo o processo que levou à eleição de Bolsonaro em outubro passado e era considerado um dos homens-fortes do presidente, mas caiu em desgraça na semana passada depois de ter batido de frente com um dos filhos do chefe de Estado, Carlos Bolsonaro.

Jair Bolsonaro, numa atitude fortemente criticada até pelos aliados mais próximos, permitiu e endossou a ingerência do filho, vereador no Rio de Janeiro, e a situação de Bebianno ficou insustentável. Quase todos os ministros e vários partidos aliados intercederam a favor de Bebianno, pressionando para que Bolsonaro o mantivesse no cargo por o considerarem uma peça-chave na articulação do executivo e no diálogo com o Congresso, mas prevaleceu a força de Carlos Bolsonaro, que o próprio presidente diz ser o seu principal conselheiro e orientador.

A crise envolvendo Bebianno começou há cerca de duas semanas, quando reportagem do jornal Folha de S. Paulo revelou que o partido de Jair Bolsonaro, o PSL, Partido Social Liberal, tinha criado nas eleições candidaturas fictícias para arrecadar verbas públicas destinadas à campanha e que a essas candidatas de fachada tinham sido atribuídas avultadas somas, supostamente desviadas para outras candidaturas ou fins. Bebianno, que na época era presidente do PSL, defendeu-se alegando que, como presidente do partido, apenas se limitava a autorizar as verbas solicitadas pelas direcções regionais, a quem realmente compete definir os candidatos e o apoio financeiro às campanhas.

As coisas pareciam encaminhar-se para um desenrolar tranquilo, provavelmente com o início de uma investigação que, avaliam analistas, ilibaria Bebiano ou, ao menos, reduziria substancialmente qualquer suspeita sobre ele, pois quem pediu as verbas foi o então presidente regional do PSL no estado de Pernambuco, Luciano Bivar, fundador e hoje presidente do partido.

Só que, quarta-feira passada, no meio de intensa troca de farpas, Carlos Bolsonaro, que nunca escondeu divergências com Gustavo Bebianno e não tolerar a proximidade deste com Bolsonaro, chamou o ministro de mentiroso numa rede social. Jair Bolsonaro, como tem feito desde que assumiu o poder e começaram a ser frequentes as interferências dos filhos no governo, ficou do lado dele, compartilhou a ofensa do filho na sua própria rede social e a crise ficou insustentável e dificilmente Bebianno poderia continuar no governo.

Setores militares, com uma presença muito forte no governo e no círculo pessoal e político mais próximo ao presidente, têm repetidamente tentado que Bolsonaro impeça a família de continuar a interferir em assuntos de Estado, mas até agora em vão. E esse poder paralelo culminou esta segunda-feira com a demissão de Bebianno, que, também em redes sociais, já pediu desculpa aos brasileiros por ter ajudado a eleger Bolsonaro, justificando-se com o facto de jamais ter imaginado que ele fosse "um presidente tão fraco".

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!