Reportagem tinha sido impedida de ir para o ar com a justificação de que eram necessárias declarações da Casa Branca.
A cadeia de televisão norte-americana CBS exibiu uma reportagem sobre deportações de imigrantes que a nova diretora de informação retirou em dezembro do célebre programa de jornalismo de investigação "60 Minutes".
A reportagem de um dos mais respeitados programas de jornalismo nos Estados Unidos sobre as deportações foi exibida no domingo, depois de a sua retirada abrupta do alinhamento ter desencadeado uma disputa interna que se tornou pública, com a jornalista responsável pela investigação, Sharyn Alfonsi, a acusar a diretora de uma decisão "política" e não editorial.
A reportagem não incluiu entrevistas em vídeo com responsáveis do governo de Donald Trump, mas teve declarações da Casa Branca e do Departamento de Segurança Interna que não faziam parte da reportagem inicialmente retirada.
Algumas das declarações, que foram reproduzidas na íntegra no site do programa "60 Minutes", eram anteriores a 21 de dezembro, quando a reportagem deveria ter ido para o ar.
"Desde novembro, o '60 Minutes' fez várias tentativas para entrevistar importantes autoridades da administração Trump perante as câmaras para falar sobre a nossa reportagem", afirma Alfonsi na sua investigação, adiantando que os pedidos foram "recusados".
A CBS afirmou que desde o início pretendeu exibir a reportagem, focada nos deportados enviados para a prisão de alta segurança CECOT, em El Salvador, enquanto a diretora de informação, Bari Weiss, argumentou que antes de ser emitida deveria refletir melhor os pontos de vista do governo e apresentar informações adicionais divulgadas por outros órgãos de comunicação social.
Embora tenha sido retirada do alinhamento em dezembro, a reportagem original de Alfonsi foi disponibilizada online por engano, uma vez que a CBS News tinha enviado uma versão da reportagem para a Global Television, estação que exibe o "60 Minutes" no Canadá, que a publicou no seu site.
A reportagem contém entrevistas com imigrantes enviados para o Centro de Confinamento de Terroristas (CECOT), em El Salvador, no âmbito da agressiva política anti imigração de Donald Trump.
Dois deportados no vídeo divulgado relatam tortura, espancamentos e outros abusos; um venezuelano afirma ter sofrido abusos sexuais e confinamento solitário.
Um estudante universitário disse ter sido espancado e que após a sua chegada os guardas lhe arrancaram um dente, relatando "um inferno".
A reportagem inclui ainda depoimentos de especialistas que questionaram a legalidade da deportação precipitada de imigrantes com decisões judiciais pendentes.
São ainda apresentadas conclusões da Human Rights Watch indicando que apenas oito homens deportados tinham sido condenados por crimes violentos ou potencialmente violentos, com base nos dados do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em língua inglesa).
A decisão de retirar a reportagem foi recebida com acusações generalizadas de que a administração da CBS estaria a proteger o Presidente de uma cobertura desfavorável.
Antes de ser contratada pela CBS, Bari Weiss trabalhou no The New York Times e tornou-se conhecida pelas suas críticas à cultura "woke" e aos media tradicionais.
Mais tarde, criou a sua própria empresa de media, a The Free Press.
A CBS News contratou Bari Weiss em outubro, comprando o The Free Press por aproximadamente 150 milhões de dólares e nomeando-a para a liderança da informação da cadeia, onde reporta a diretamente a David Ellison, presidente executivo da Paramount Skydance, de forma inédita.
Ellison nomeou Weiss com a missão de "modernizar o conteúdo" e fornecer uma "diversidade de pontos de vista", numa estação frequentemente acusada por meios conservadores de ter um pendor liberal.
Considerado um aliado de Trump, Ellison aparece frequentemente com o Presidente em eventos públicos, incluindo combates de luta livre UFC.
Para garantir a aprovação federal da fusão entre a Paramount, proprietária da CBS, e a Skydance em julho, a equipa de Ellison terá assumido compromissos com a administração Trump para "modernizar" a CBS News, incluindo a nomeação de um provedor para receber queixas de enviesamento ideológico, segundo os media norte-americanos.
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