Menores fizeram turnos para escavar as paredes dos túneis e manter a esperança.
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Os 13 jovens resgatados da gruta de Tham Luang, na Tailândia, saíram esta quarta-feira do hospital e falaram pela primeira vez ao público sobre o pesadelo que viveram nos 17 dias que passaram isolados e sem saber se iam sobreviver.
Crianças tailandesas contam milagre da gruta
"Quando vimos o mergulhador foi como um milagre", contou Adul Sam-on, de 14 anos, lembrando o momento em que foram encontrados por mergulhadores britânicos. Tão perturbado ficou que, às perguntas dos salvadores só conseguia responder com um repetido "Olá!".
As declarações foram proferidas numa conferência de imprensa preparada ao pormenor, à qual os menores chegaram envergando o equipamento dos ‘Javalis Selvagens’, equipa de futebol a que pertencem.
Depois de darem uns toques na bola num cenário a imitar um campo de futebol, começaram a lembrar o que viveram e a responder às perguntas dos jornalistas, combinadas de avanço com os médicos para evitar perturbar os jovens.
"Disse a todos para combaterem o desespero", contou um dos menores, enquanto o mais jovem do grupo, conhecido como ‘Titan’, lembrou como sofria com a fome: "Sentia-me muito fraco e tinha a sensação que desmaiava. Tentava não pensar em comida para não ficar ainda com mais fome".
Todos confirmaram que não levaram comida porque pensavam demorar só uma hora na gruta. Mas a tempestade apanhou-os e em pouco tempo a água "subiu quase três metros", lembrou o treinador, Ekapol ‘Ake’ Chantawong, de 25 anos, que manteve o grupo com o moral elevado graças a exercícios de meditação. "Fazíamos turnos para escavar nas paredes", contou ainda, dizendo que isso os mantinha ocupados e alimentava a esperança.
O local onde ficaram não foi escolhido ao acaso: "Vimos que a água caía pelas paredes, e por isso ficámos junto desse local, pois a água era limpa". Um dos menores conta que "tinha medo", não tanto por estar isolado, mas por causa dos pais: "Pensava que, se não chegasse a casa a minha mãe ia ralhar".
Na semana que passaram hospitalizados, engordaram em média 3 quilos e, segundo os médicos, "estão prontos para voltar para casa". Contudo, tanto eles como as famílias, foram aconselhados a não falar de novo à imprensa nas próximas semanas, a fim de não reavivar feridas psicológicas que possam estar ainda por sarar.
‘Javalis’ querem ser fuzileiros para homenagear heróiOs menores ficaram muito comovidos com a morte de Samarn Kunan, o antigo fuzileiro que perdeu a vida durante o resgate na gruta. "Ficámos muito tristes", afirmou o treinador, ‘Ake’: "Eles pensavam ser culpados pela morte dele e pelo sofrimento da família". Mas a morte do fuzileiro, de 38 anos, teve impacto também a outro nível.
"Ficámos impressionados por ele ter sacrificado a vida para nos salvar, para que pudéssemos viver as nossas", disse ainda ‘Ake’. Essa morte, e o contacto diário com os fuzileiros que os resgataram, levam agora muitos dos jovens a dizerem que querem tornar-se fuzileiros quando forem grandes.
Mas, para já, vão todos entrar como noviços num mosteiro budista a fim de honrar a memória de Samarn e dando cumprimento a uma prática comum na Tailândia sempre que alguém sofre um infortúnio.
Patrão da Tesla pede desculpa a mergulhadorO patrão da Tesla, Elon Musk, pediu ontem desculpa ao mergulhador britânico que acusou de "pedófilo" por ter criticado o minissubmarino que ofereceu para ajudar nos trabalhos de resgate.
"As suas ações não justificavam a minha resposta e por isso peço desculpa, tanto ao senhor Vern Unsworth como às empresas que represento", escreveu no Twitter após as ações das empresas terem mergulhado em Bolsa devido à polémica.
PORMENORES
Afinal sabiam nadar
Treinador Ekkapol garantiu que, ao contrário do que foi dito inicialmente, a maioria dos menores sabia nadar, embora não fossem fortes nadadores.
Lamentam sofrimento
Menores pediram desculpa aos pais e familiares por todo o sofrimento que causaram e agradeceram o empenho do governo e das equipas de resgate no seu salvamento.
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