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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Construção da primeira fábrica da Tesla fora dos Estados Unidos arranca em Xangai

Modelos mais caros da marca vão continuar a ser produzidos nos EUA.

07 de janeiro de 2019 às 11:25

O presidente executivo da fabricante norte-americana de carros elétricos Tesla, Elon Musk, anunciou esta segunda-feira o início da construção da primeira fábrica do grupo na China, que começará a produzir o Model 3 no final deste ano.

"Ansioso pelo lançamento, hoje, da primeira pedra do @Tesla Shanghai Gigafactory", escreveu Musk, na rede social Twitter.

O grupo, que tem sede no estado norte-americano da Califórnia, assinou, em julho passado, um acordo para a transferência dos terrenos onde está a ser construída a fábrica, depois de Pequim ter anunciado a abolição dos limites à participação estrangeira para produtores de veículos elétricos, num esforço para impulsionar o desenvolvimento industrial do país.

A notícia do arranque da construção da primeira fábrica da Tesla fora dos Estados Unidos surge nas vésperas do início das negociações com Washington, que visam pôr fim a uma guerra comercial que ameaça a economia mundial, mas a relação bilateral continua ensombrada por várias incertezas.

Musk afirmou que as instalações estarão concluídas no verão e vão produzir "versões acessíveis" do Model 3 para o continente chinês.

Os modelos mais caros da marca vão continuar a ser produzidos nos EUA.

General Motors, Volkswagen e Nissan têm investido milhares de milhões de dólares no fabrico de veículos elétricos na China, o maior mercado automóvel do mundo.

A produção local elimina os riscos do aumento de taxas alfandegárias e outras barreiras às importações.

A fábrica situa-se no distrito de Lingang, no sudeste de Xangai, a "capital" económica e centro da indústria automóvel do país.

O grupo norte-americano não anunciou ainda os valores do investimento, mas o governo de Xangai afirmou que se trata do maior investimento estrangeiro de sempre naquele distrito.

A empresa enfrenta a concorrência de marcas chinesas, como a BYD Auto e o grupo BAIC Group, que vendem já anualmente dezenas de milhares de carros elétricos e híbridos no país.

Até agora, os fabricantes estrangeiros na China podiam deter apenas 50% dos negócios do setor, obrigando os construtores a unirem-se a empresas estatais chinesas. As marcas evitavam, por isso, fabricar veículos elétricos de última geração na China, para evitar a transferência de tecnologia para potenciais concorrentes.

O grupo japonês Nissan tornou-se, em agosto passado, o primeiro a fabricar veículos elétricos na China, com o modelo Sylphy Zero Emission.

A General Motors e a Volkswagen devem começar este ano a vender os primeiros modelos elétricos produzidos no país.

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