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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Consul honorário de Portugal nos 'Papéis do Panamá'

Advogado da Guatemala referido em negócios com Offshore.

06 de abril de 2016 às 12:33

O advogado Juan Manuel Díaz-Durán, consul honorário de Portugal na Guatemala, tem o seu nome referido nos 'Papéis do Panamá'. O seu escritório, Díaz-Durán & Asociados, com sede na cidade da Gautemala tem, desde há muito, relações estreitas com a Mossack Fonseca, o firma do Panamá que está no epicentro do escândalo. Tanto que a morda da delegação da Mossack Fonseca é precisamente a do escritório da Díaz-Durán & Asociados

Díaz-Durán, que é também deputado pelo partido Visión con Valores, de centro direita, é referido pelo Diario Digital da Guatemala como "um escritório que oferece assessoria sobre direito corporativo (entidades offshore), imigração e estrangeiros", entre outros serviços legais. Um dos consultores do escritório é o ex-presidente da Guatemala, Alejandro Maldonado Aguirre. Na sua função de consul honorário, Díaz-Durán está ligado à secção consular da Embaixada de Portugal na Cidade do México.

No cerne das revelações dos 'Papéis do Panamá' está o facto de o escritório do consul representar a firma Brodway Commerce, que tinha como donos Marllory Chacón - empresária condenada a dez anos de prisão nos EUA por tráfico de droga e Francisco Palomo, antigo deputado e advogado de políticos guatemaltecos, que foi assassinado a tiro em 2015.

A traficante, que se entregou às autoridades americanas, onde cumpre pena depois de ter confessado os crimes, terá usado o Panamá para lavar cerca de 3,5 milhões de euros provenientes do narcotráfico. A operação foi através da Brodway Commerce

Em declarações ao diário digital da Guatemala, Juan Manuel Díaz-Durán diz que nunca teve qualquer vínculo com Marllory Chacón. "Quero ser muito categórico ao dizer que nunca tivemos qualquer relação com a senhora Chacón". Falando sobre a Brodway Commerce, empresa criada  en 2008 pelo escritório Díaz-Durán & Asociados a pedido de Francisco Palomo, Díaz-Durán diz que "a sociedade teve uma existência muito efémera porque nem sequer tinha conta bancária". A sociedade foi depois vendida pelo advogado a Chacón e Juan Manuel diz que não teve nada a ver com esse negócio.

Sobre as relações com a Mossack Fonseca, o advogado diz não ter nada a esconder: "Temos relação com muitos escritórios do Panamá, América Central, México, em todos os lados. Mas não somos os únicos a trabalhar com a Mossack Fonseca, há outras que podem contactar".

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