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Cuba diz que EUA querem "cooperar" no caso do incidente em águas territoriais

Guarda costeira cubana tinha abatido quatro pessoas numa lancha dos EUA.

27 de fevereiro de 2026 às 08:41

Cuba afirmou esta quinta-feira que solicitou aos Estados Unidos que contribuam para o esclarecimento do incidente nas suas águas territoriais, que resultou em quatro mortos, e disse que as autoridades norte-americanas "demonstraram disposição para cooperar".

A incursão de uma lancha rápida na quarta-feira com dez pessoas armadas a bordo, que Havana descreve como "uma tentativa de infiltração com fins terroristas", ocorre num momento especialmente delicado entre os dois países devido às tensões decorrentes do cerco petrolífero dos Estados Unidos à ilha.

O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, acrescentou numa declaração que, para esclarecer os fatos "com todo rigor", o Governo cubano "está disposto a trocar informações com o governo americano" e que solicitou informações sobre os dez tripulantes.

Cuba também divulgou as identidades dos quatro mortos e dos seis feridos, e destacou que estavam fortemente armados com espingardas de assalto e equipamento militar, além de exibirem "monogramas de organizações contrarrevolucionárias de caráter terrorista".

Cossío indicou que dois dos membros estavam incluídos na lista de terroristas elaborada anualmente por Cuba.

O vice-ministro, que ratificou o "compromisso absoluto e categórico" do país contra o terrorismo, concluiu dizendo que "Cuba tem o dever e a responsabilidade de proteger as suas águas territoriais".

O Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, falou pela primeira vez sobre o incidente na quinta-feira, sublinhando que Cuba "não ameaça nem agride", mas defende-se de ataques terroristas.

"Cuba defender-se-á com determinação e firmeza contra qualquer agressão terrorista e mercenária que pretenda afetar a sua soberania e estabilidade nacional", escreveu nas redes sociais.

Paralelamente, as autoridades norte-americanas informaram que dois dos tripulantes da lancha rápida --- um morto e um ferido --- são, além de cubanos, cidadãos norte-americanos. O Ministério do Interior da ilha tinha indicado antes que eram todos cubanos residentes nos Estados Unidos.

Soube-se entretanto que o proprietário da lancha, com matrícula da Florida (Estados Unidos), afirmou que um funcionário da sua empresa lhe tinha roubado a embarcação.

A Administração norte-americana manteve-se em silêncio na quinta-feira. Na véspera, o secretário de Estado, Marco Rubio, de ascendência cubana, pediu cautela enquanto se investiga exatamente o que aconteceu e disse que os Estados Unidos agiriam depois "em conformidade".

Esta quinta-feira, soube-se também que, segundo o jornal Miami Herald, a equipa de Rubio se reuniu com o neto do ex-presidente cubano Raúl Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, no âmbito da cimeira da Comunidade das Caraíbas (Caricom).

De acordo com uma fonte anónima, as conversações centraram-se na possibilidade de Washington "aliviar lentamente as sanções dos EUA" sobre a ilha em troca de reformas económicas, que seriam acompanhadas "mês a mês".

A informação aprofunda revelações anteriores do meio de comunicação norte-americano Axios, que apontavam para contactos entre Rubio e Rodríguez Castro.

O Governo cubano negou nas últimas semanas que haja negociações. O representante de Cuba nas Nações Unidas, Ernesto Soberón, afirmou recentemente à agência EFE que essas informações não passam de especulação.

Por sua vez, o coordenador residente da ONU em Cuba, Francisco Pichón, pediu "moderação para se evitar qualquer tipo de escalada de tensões", enquanto se investiga o incidente da lancha rápida.

Pichón pediu ainda a Washington uma "exceção humanitária" que permita o envio de petróleo e ajuda à ilha, alegando ser "a única maneira de se evitar uma crise humanitária com consequências mais graves".

O diplomata cubano afirmou acreditar que "estão a ser feitos esforços nesse sentido" durante uma intervenção virtual de Havana na habitual conferência de imprensa do porta-voz do secretário-geral das Nações Unidas em Nova Iorque.

No início desta semana, os EUA tomaram medidas para aliviar um pouco a pressão do bloqueio petrolífero a Cuba, facilitando a exportação de petróleo e derivados por empresas norte-americanas a membros do setor privado na ilha.

O Gabinete de Direitos Humanos da ONU assinalou há alguns dias que o bloqueio dos Estados Unidos viola a Carta das Nações Unidas e o direito internacional, além de provocar o "desmantelamento" do sistema alimentar, sanitário e de abastecimento de água na ilha.

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