Continente europeu é particularmente vulnerável porque está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global.
Desastres naturais e climáticos, como inundações e ondas de calor, representam um risco para a resiliência financeira da União Europeia (UE), com estes fenómenos a terem um impacto crescente no acesso à habitação, segundo a organização ambientalista WWF.
"O que não é segurável não é financiável. Os proprietários de imóveis e as empresas em áreas de alto risco sem cobertura de seguro perderão o acesso a empréstimos e financiamentos imobiliários", frisou a WWF no seu relatório sobre o tema.
O documento - elaborado com a consultoria de seguradoras como a Allianz e a Generali, entre outras, e de instituições académicas como a UC Berkeley, a London School of Economics e a Universidade de Economia e Negócios de Viena - alerta que os crescentes riscos ambientais estão a "empurrar áreas anteriormente consideradas de baixo risco para zonas de perigo".
"Cada vez mais regiões da UE estão a ser afetadas por uma crescente crise de seguros, à medida que os eventos climáticos extremos se tornam mais frequentes e severos", antecipou a WWF.
A análise corrobora um relatório recente da empresa de serviços imobiliários Jones Lang LaSalle, que revela que aproximadamente 580 mil milhões de dólares em ativos imobiliários comerciais europeus estão concentrados nas dez cidades europeias mais vulneráveis às alterações climáticas.
"Destas, Roma, Istambul, Barcelona e Atenas enfrentam os maiores riscos relacionados com o clima, enquanto Paris tem a maior exposição geral em termos do valor dos edifícios em risco", sublinhou a WWF.
O aumento dos custos dos seguros levará a "custos cada vez mais elevados" para as famílias, empresas e orçamentos públicos, afirmou a especialista financeira da WWF, Dominyka Nachajute, que apelou a "medidas urgentes para colmatar a lacuna na proteção dos seguros e salvaguardar a estabilidade financeira da Europa".
O continente europeu é particularmente vulnerável porque está a aquecer duas vezes mais depressa do que a média global, o que "expõe novas regiões aos riscos climáticos e leva alguns mercados de seguros à beira do colapso".
Entre 1980 e 2023, apenas 5% a 20% dos prejuízos económicos decorrentes destes eventos foram cobertos por seguros, segundo dados da Agência Europeia do Ambiente.
"Só no verão de 2025, eventos extremos como ondas de calor, inundações e secas causaram prejuízos estimados em 43 mil milhões de euros na UE, segundo dados oficiais, e 'os especialistas alertam que as perdas acumuladas podem atingir os 126 mil milhões de euros até 2029 se não forem tomadas medidas', observou a WWF.
Para corrigir a situação, a ONG ambientalista acredita que os governos e as entidades reguladoras devem "avaliar de forma abrangente os riscos climáticos e ambientais e cumprir as metas climáticas e de biodiversidade".
Devem também "priorizar soluções baseadas na natureza para a adaptação e reforçar os quadros regulamentares e de seguros para melhorar a resiliência financeira", para evitar o colapso da rede de seguros, acrescentou.
A organização ambientalista apelou aos decisores políticos da UE para que "exijam que as empresas apresentem planos de transição credíveis e criem mecanismos de partilha de riscos em que as seguradoras e os governos reúnam recursos".
"Estes mecanismos não devem apenas compensar as perdas, mas também orientar as seguradoras --- enquanto grandes investidoras --- a afastarem-se dos investimentos em combustíveis fósseis e a caminharem rumo à descarbonização", concluiu a WWF.
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