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Correio da Manhã

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Diário turco acusa Governo de fornecer armas a rebeldes

Imagens e gravações em vídeo mostram camiões a transportar armas para os rebeldes da Síria.
29 de Maio de 2015 às 20:59
O Governo turco negou veementemente estar a armar os rebeldes que combatem na Síria
O Governo turco negou veementemente estar a armar os rebeldes que combatem na Síria FOTO: Ammar Abdullah/Reuters
Um jornal diário turco divulgou esta sexta-feira imagens e gravações em vídeo mostrando camiões alegadamente pertencentes aos serviços secretos da Turquia transportando armas para os rebeldes da Síria.

O Governo turco negou veementemente estar a armar os rebeldes que combatem na Síria e acusou dezenas de procuradores do Ministério Público, soldados e responsáveis da segurança encarregados de procurar esses camiões de tentarem derrubá-lo com tais alegações.

No início deste mês, a Turquia deteve quatro procuradores do Ministério Público que ordenaram buscas em veículos perto da fronteira síria em janeiro de 2014, e eles encontram-se agora sob custódia aguardando julgamento.

Mais de 30 responsáveis da segurança envolvidos na interceção desses veículos também enfrentam acusações que incluem espionagem militar e tentativa de derrubar o Governo.

Conteúdo dos vídeos
As imagens publicadas pelo diário da oposição Cumhuriyet na sua edição eletrónica mostram inspetores efetuando buscas a um contentor metálico guardado por agentes de segurança, um delegado do Ministério Público e cães pisteiros.

No vídeo, feito por um cidadão anónimo, os inspetores começam por abrir caixotes de cartão com a indicação de "frágil" e que estão cheios de antibióticos, mas depois encontram, debaixo dessas caixas, dezenas de morteiros.

O Cumhuriyet, que também publicou uma série de fotografias, afirma que as armas eram de origem russa e tinham sido fornecidas por países que anteriormente integraram a União Soviética.

O diário turco sustenta que os camiões transportavam um total de 1.000 morteiros, 80.000 cartuchos de munições para armamento leve e pesado, bem como centenas de lança-granadas.

Imagens retiradas por ordem do tribunal
Horas após a notícia do Cumhuriyet, um procurador do Ministério Público de Istambul anunciou a abertura de uma investigação criminal ao jornal, acusado de "terrorismo", e também instou à proibição da publicação de imagens que considerou serem "contrárias à realidade".

Um juiz da maior cidade da Turquia acedeu ao seu pedido, ordenando a sua retirada imediata da internet, noticiou a imprensa turca.

O Governo tinha anteriormente declarado que os camiões transportavam ajuda humanitária para a comunidade turcomena na Síria, e o Presidente, Recep Tayyip Erdogan, classificou a operação de inspeção como "traição".

As tensões relativas à política externa têm aumentado na reta final para as eleições legislativas de 07 de junho, com o governante Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) procurando assegurar o domínio que mantém desde que primeiro tomou o poder, em 2002.

"Trata-se de uma informação extraordinária. Parece que as tais caixas continham armas. São imagens muito prejudiciais para o prestígio da Turquia", disse Kemal Kilicdaroglu, líder do principal partido da oposição, o Partido Popular Republicano (CHP), citado pela agência de notícias francesa, AFP.

"Aqueles que ilegalmente enviaram armas para um país muçulmano têm sangue nas mãos", defendeu, acusando a Turquia de ajudar um grupo -- o Estado Islâmico -- que classifica como "terrorista".
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