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MICRONOVELA

Pandora O poder não se mostra. Usa-se.

Dilma tenta desesperadamente regressar ao poder

Presidente do Brasil quer eleições antecipadas.

10 de junho de 2016 às 16:42

Numa tentativa desesperada para reassumir a presidência, de que foi afastada temporariamente a 12 de Maio para ser julgada por irregularidades, Dilma Rousseff propôs ao Senado a realização de eleições presidenciais antecipadas em troca de os senadores a reconduzirem ao cargo no final do processo, previsto para agosto ou setembro.

Nesse sentido, a presidente afastada endereçou ao Senado uma carta-compromisso com a proposta.

De acordo com Dilma, se os senadores aceitarem colocá-la de volta na presidência do país, afastando o actual presidente interino, Michel Temer, ela decretará logo em seguida a realização de um plebiscito nacional, para os brasileiros dizerem com clareza se querem ou não a realização de novas eleições presidenciais. Se os cidadãos optarem por novas presidenciais, Dilma, segundo a carta-compromisso, enviará imediatamente ao Congresso uma proposta nesse sentido.

A estratégia, traçada pela assessoria de Dilma para tentar convencer alguns senadores que em 12 de Maio votaram contra ela a mudarem o seu voto e aprovarem o seu regresso ao cargo, na verdade é um acto de desespero, que, se der certo, dificilmente terá qualquer outro efeito prático a não ser a volta da presidente afastada ao poder.

Eleições presidenciais antecipadas não estão previstas na Constituição e nas leis eleitorais brasileiras e, para acontecerem, seria necessário mudar os preceitos constitucionais.

Na prática, e mesmo que os senadores acreditassem na proposta e reconduzissem Dilma à presidência, ela, mesmo que cumprisse o prometido, ficaria no cargo até final do mandato, em Dezembro de 2018.

Para se organizar e levar a cabo o plebiscito e aprovar, primeiro na Câmara dos Deputados e depois no Senado, uma emenda constitucional que permitisse decretar novas eleições, demoraria mais do que o resto do mandato de Dilma e, até lá, o Brasil viveria um novo período de agravamento económico e social, com nova troca de governo e sendo comandado por um executivo praticamente de gestão, sem força efectiva.

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