"Não devemos excluir nenhuma resposta da comunidade europeia", afirmou a ministra dos Assuntos Económicos dinamarquesa.
A Dinamarca pediu esta terça-feira aos parceiros europeus que não "excluam qualquer resposta" às ameaças do Presidente norte-americano de assumir o controlo da Gronelândia, embora tenha também apelado a que se "insista" no diálogo para evitar uma escalada.
"Com as ameaças que o Reino da Dinamarca está a sofrer e os efeitos colaterais para a economia europeia e para as relações transatlânticas [...], não devemos excluir nenhuma resposta da comunidade europeia", afirmou a ministra dos Assuntos Económicos dinamarquesa, Stephanie Lose, em declarações à imprensa antes da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (UE - EcoFin).
A responsável pela pasta económica do Governo dinamarquês respondia após ser questionada sobre uma eventual ativação do chamado instrumento anti-coerção da UE contra Washington, um mecanismo aprovado em 2023 para proteger o bloco de pressões económicas de países terceiros -- inicialmente pensado tendo em vista a China --, que nunca foi utilizado até ao momento e que permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.
A posição da Dinamarca, indicou Lose, é que "as tarifas não são, em circunstância alguma", a forma de encontrar uma solução para o conflito, por ser "evidente" que prejudicariam tanto a economia norte-americana como a europeia.
Nesse sentido, defendeu diálogo com a administração do Presidente Donald Trump para "evitar uma escalada" comercial, mas advertiu que "terá de haver uma resposta europeia em algum momento" se "outros optarem por escalar".
Após um encontro bilateral com a homóloga dinamarquesa, a ministra das Finanças da Suécia, Elisabeth Svantesson, considerou "triste e totalmente absurdo" que Trump esteja a "chantagear" outros países "através de ameaças" e apelou aos Estados-membros da UE para que "permaneçam unidos" e exerçam também "pressão" sobre Washington.
O ministro das Finanças lituano, Kristupas Vaitiekunas, defendeu o esgotamento de todas as outras vias de pressão antes de ativar o instrumento anti-coerção, como, por exemplo, o pacote de 93.000 milhões de euros em tarifas sobre importações provenientes dos Estados Unidos, que será acionado caso a UE não decida o contrário até 07 de fevereiro.
"Creio que a resposta tem de ser unificada e, antes do instrumento anti-coerção, devem ser utilizadas outras medidas. Tudo o que tenha uma dimensão inferior ao mecanismo anti-coerção deve ser usado primeiro", sustentou.
O ministro das Finanças irlandês, Simon Harris sublinhou, por sua vez, a via diplomática nos próximos dias, que classificou como "crucial" para o futuro da relação entre a União Europeia e os Estados Unidos.
"É absolutamente essencial prosseguir com esforços diplomáticos intensos para tentar diminuir a tensão de uma situação económica extremamente perigosa. Sabemos que as tarifas seriam prejudiciais para a economia irlandesa, europeia e norte-americana, mas a questão é mais profunda do que isso. Há o potencial de provocar uma espiral de ações desestabilizadoras", advertiu.
Embora não conste da agenda formal da reunião, é expectável que os ministros das Finanças da UE realizem uma primeira troca de impressões sobre uma eventual resposta do bloco às ameaças feitas por Trump nos últimos dias com o objetivo de assumir o controlo da Gronelândia.
Os esforços diplomáticos prosseguem esta semana no Fórum de Davos e no âmbito do G7, atualmente presidido pela França. Em paralelo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou para quinta-feira uma reunião extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da UE.
Trump anunciou no sábado que iria impor, a partir de 01 de fevereiro, uma tarifa de 10 % sobre todos os produtos de oito países europeus que enviaram militares para a Gronelândia, que subiria para 25 % em junho e se manteria em vigor até à conclusão de um acordo para a "compra total e plena da Gronelândia" por parte de Washington.
Os países são, além da Dinamarca, a Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.
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