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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Dois mortos em atentados curdos em Alepo, norte da Síria

Foram usados drones explosivos por forças governamentais nos bairros predominantemente curdos de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh.

06 de outubro de 2025 às 23:55

Pelo menos um membro das forças de segurança interna e um civil morreram na noite de esta segunda-feira em atentados atribuídos às forças curdas em Alepo, no norte da Síria, revelou a televisão estatal.

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou sobre a utilização de drones explosivos por forças governamentais nos bairros predominantemente curdos de Sheikh Maqsoud e Ashrafieh.

Desde a deposição de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024, Alepo tem sido administrada pelas autoridades islamitas.

Sheikh Maqsoud e Ashrafieh continuam sob o controlo de unidades curdas locais ligadas às Forças Democráticas Sírias (FDS) e às suas forças de segurança interna, a Asayesh.

De acordo com a estação de televisão al-Akhbariya, que citou um responsável de segurança, "um membro das forças de segurança interna foi morto e outros três ficaram feridos num ataque das FDS a postos de controlo de segurança no bairro de Sheikh Maqsoud, em Alepo".

A mesma fonte informou que um civil também foi morto num bombardeamento curdo.

O canal informou ainda que "dezenas de famílias" fugiram de Ashrafieh e Sheikh Maqsoud "devido ao bombardeamento das FDS na área com metralhadoras pesadas e morteiros".

De acordo com o OSDH, uma organização não-governamental (ONG) sedeada no Reino Unido mas com uma vasta rede de fontes na Síria, as comunicações foram cortadas nestas áreas, agora cercadas por reforços do Exército sírio.

A agência de notícias oficial SANA acrescentou que vários civis feridos foram hospitalizados em Alepo depois de "morteiros e disparos de metralhadoras pesadas das FDS terem atingido bairros residenciais".

O governador de Alepo, Azzam al-Gharib, pediu na rede social Facebook aos residentes que "fiquem em casa esta noite e se afastem o mais possível dos confrontos", acrescentando que estava a trabalhar "com as partes envolvidas para acalmar e pôr fim aos conflitos".

As FDS, o braço armado da administração curda que controla zonas do norte e nordeste da Síria, negou qualquer ataque às forças de segurança governamentais, acusando as fações pró-Damasco de imporem um cerco "sufocante" aos bairros curdos e de tentarem avançar "com tanques".

Alegaram que os residentes pegaram em armas "juntamente com as forças de segurança interna" (Assayich, forças de segurança curdas) para se defenderem.

As novas autoridades e as FDS chegaram a acordo em março para integrar as instituições civis e militares da administração autónoma curda nas instituições nacionais.

No entanto, divergências significativas entre as duas partes atrasaram a implementação deste acordo.

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