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Duas novas apostas contra a Covid-19

Medicamentos usados noutras doenças podem revelar-se eficazes no combate ao vírus, caso do Tapsigargina e do Ivermectina.

04 de fevereiro de 2021 às 01:30

O antiviral Tapsigargina e o antiparasitário Ivermectina são as novas apostas contra as infeções Covid, para reduzir o número de mortos e de internamentos hospitalares, ao mesmo tempo que avança a vacinação. O interesse por aqueles medicamentos está no facto de atuarem sobre os infetados e não apenas como prevenção. O problema é que, sendo medicamentos utilizados noutras doenças, demora a comprovação da sua eficácia específica contra a Covid-19.

A aposta no Tapsigargina partiu de um grupo multidisciplinar da Universidade de Nottingham, no Reino Unido, liderado pelo chinês Kin-Chow Chang. Num comunicado publicado esta quarta-feira, os investigadores destacam a eficácia contra infeções respiratórias do antiviral produzido a partir da planta tóxica ‘thapsia garganica’, existente no Interior Centro e Sul de Portugal. Um derivado deste antiviral foi já usado no tratamento do cancro da próstata e a novidade é a ação importante contra o SARS-CoV-2, bem como os vírus da gripe comum e da gripe A. Com uma toma única, o antiviral impede a reprodução dos vírus nas células durante pelo menos 48 horas. Nos testes in vitro revelou-se “centenas de vezes mais eficaz do que as opções existentes”.

O Ivermectina é um antiparasitário utilizado há 30 anos no tratamento da sarna e passou testes no laboratório francês MedinCell após indicações prometedoras. Na Argentina, foi dado como prevenção a 788 cuidadores de doentes Covid, seguidos nos mesmos hospitais a par de 407 não medicamentados. Após dez semanas, 237 do último grupo registavam infeções Covid enquanto nenhum dos outros era atingido. A revista ‘The Lancet’ publicou em janeiro um artigo sobre o tratamento e em França está pendente um pedido de aprovação oficial.

‘Teste do balão’ dá resultado num minuto

As autoridades holandesas começaram esta semana a usar uma espécie de ‘teste do balão’ capaz de detetar possíveis infeções por Covid-19 num minuto. Para realizar o teste, a pessoa tem apenas de inspirar fundo e exalar tranquilamente para um tubo, e a máquina faz o resto. Os resultados são conhecidos em cerca de um minuto e todo o processo, incluindo a desinfeção da máquina para ser usada pela próxima pessoa, não dura mais de três minutos.

Após meses de testes nos hospitais, as autoridades de saúde acreditam que o SpiroNose, como foi batizado, é capaz de detetar com elevado grau de precisão as pessoas que não estão infetadas com o novo coronavírus. Já no caso de o resultado ser positivo, terá de ser sempre confirmado por um teste PCR.

Isto poderá ajudar a separar as pessoas que não estão infetadas daquelas que podem estar contaminadas, o que pode ser extremamente útil nas escolas e locais de trabalho. “Isto pode mudar o jogo. Podemos fazer um diagnóstico rápido ou descartar uma possível infeção num minuto”, disse o virologista Marc Van Ranst. A experiência arrancou em Amesterdão e o governo holandês já encomendou 1800 máquinas para alargar a cobertura a todo o país.

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