Desabamento aconteceu há 48 horas.
As equipas de resgate encontraram este domingo os restos mortais de um dos cinco mineiros presos desde quinta-feira, após um desabamento, na mina chilena El Teniente, a maior jazida subterrânea de cobre do mundo.
"Na intersecção do 'Loop' central com o túnel norte, encontrámos os restos mortais de uma pessoa", que ainda não foram identificados, anunciou em conferência de imprensa Andrés Music, diretor-geral da mina localizada na região central de O'Higgins, cerca de 120 quilómetros a sul da capital, Santiago do Chile.
O abatimento na mina, ocorrido na quinta-feira à tarde devido a um sismo de magnitude 4,2 na escala de Richter, no setor de Andesita, a 500 metros de profundidade, já tinha feito um morto e nove feridos com diferentes níveis de gravidade, embora todos fora de perigo.
A equipa de salvamento, alguns de cujos elementos participaram no famoso resgate de 2010 de 33 mineiros soterrados durante mais de dois meses na mina de ouro e cobre de San José, sabem exatamente onde se encontram retidos os mineiros, porque estes estão equipados com dispositivos de geolocalização, mas até agora não conseguiram estabelecer contacto com nenhum deles, pelo que desconhecem o seu estado de saúde.
O plano de resgate da empresa estatal chilena Codelco, a maior produtora de cobre do mundo e proprietária da mina, consiste em remover, com equipamentos telecomandados, as rochas que bloqueiam a galeria e assim tentar chegar ao ponto onde se estima que os restantes quatro mineiros se encontrem.
"Desde o primeiro momento, trabalhámos sem descanso, com todos os recursos, a melhor tecnologia e experiência disponíveis. Esta descoberta (do cadáver de um dos cinco mineiros) enche-nos de tristeza, mas também nos indica que estamos no lugar certo, que a estratégia seguida nos levou até eles", acrescentou Music.
A incógnita continua a ser a causa do sismo: se foi de origem natural ou provocado pelas próprias perfurações da Codelco, tendo o Ministério Público regional de O'Higgins decidido abrir uma investigação.
Horas antes, na sede da mina de El Teniente em Rancagua, capital regional, o Presidente do Chile, Gabriel Boric, reuniu-se com os familiares dos mineiros presos debaixo da terra e, em conferência de imprensa, asseverou estarem a ser feitos "todos os esforços, com toda a tecnologia disponível, não só no Chile, mas no mundo, para conseguir resgatá-los".
"Há muitas coisas a esclarecer num acidente desta natureza, mas a prioridade é o resgate dos cinco mineiros. Toda a atribuição de responsabilidade tem de ser conhecida, tem de haver justiça e clareza", acrescentou então.
O acidente desta quinta-feira é o mais grave ocorrido em mais de três décadas em El Teniente, cuja pior tragédia até à data ocorreu em 1990, quando morreram seis mineiros.
Situada em plena cordilheira dos Andes, entre 2.200 e 3.200 metros acima do nível do mar, e explorada desde o período pré-hispânico de forma artesanal, El Teniente é uma das minas mais antigas do mundo e um colosso de dimensões únicas, com mais de 4.500 quilómetros de túneis, escavados ao longo dos seus 120 anos de história.
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