Na semana passada, a França, o Reino Unido e a Alemanha ativaram o mecanismo para reimpor sanções da ONU contra o Irão
O Governo norte-americano anunciou esta terça-feira sanções contra um magnata iraquiano, acusando-o de liderar uma rede de transporte marítimo que ajudou o Irão a contornar as restrições às suas exportações de petróleo.
O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) do Departamento do Tesouro (equivalente ao Ministério das Finanças) indicou em comunicado que o empresário Walid al-Samarai, cidadão do Iraque e de São Cristóvão e Névis, "contrabandeou petróleo iraniano disfarçado de iraquiano" e gerou 300 milhões de dólares (257 milhões de euros) em receitas para Teerão e para ele próprio.
Al-Samarai é um empresário radicado nos Emirados Árabes Unidos que gere uma rede de empresas com embarcações envolvidas na venda de petróleo iraniano nos mercados internacionais.
A sua empresa, Babylon Navigation DMCC, gere a logística e o transporte, enquanto a Galaxy Oil FZ LLC é o principal comercializador dos produtos energéticos.
Para contrabandear petróleo de origem iraniana, o Departamento do Tesouro descreve que era utilizado um grupo de navios de bandeira liberiana operados pela Babylon: Adena, Liliana, Camilla, Delfina, Bianca, Roberta, Alexandra, Bellagio e Paola.
A rede recorria também a empresas de fachada sediadas nas Ilhas Marshall, Tryfo, Keely, Odiar, Panarea e Topsail, para atuarem como proprietárias destes navios.
Para ocultar as suas atividades de contrabando, eram realizadas transferências de navio para navio, envolvendo as embarcações sancionadas pelos Estados Unidos e publicamente ligadas à "frota fantasma" do Irão, procurando distanciar-se das interações diretas com o setor petrolífero iraniano.
"O Iraque não pode tornar-se num refúgio para terroristas, e é por isso que os Estados Unidos estão a trabalhar para conter a influência do Irão no país", comentou o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, citado no comunicado.
Ao visar o fluxo de receitas petrolíferas do Irão, "o Tesouro reduzirá ainda mais a capacidade do regime de perpetrar ataques contra os Estados Unidos e os seus aliados", prosseguiu o representante norte-americano.
Em resultado das sanções hoje anunciadas, todos os bens e interesses das pessoas e entidades visadas que estejam nos Estados Unidos ou na posse ou controlo de cidadãos norte-americanos estão bloqueados e devem ser comunicados ao OFAC.
Logo após o regresso de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro passado, os Estados Unidos aplicaram sanções contra o Irão, justificadas por alegados ciberataques contra interesses norte-americanos, pelo apoio de Teerão a grupos considerados terroristas por Washington, como o Hamas na Palestina ou o Hezbollah no Líbano, e pelo desenvolvimento do programa nuclear iraniano.
Os Estados Unidos bombardearam em junho três instalações nucleares iranianas, no final de um conflito aberto de 12 dias entre Israel e a República Islâmica.
Na semana passada, a França, o Reino Unido e a Alemanha ativaram pelo seu lado o mecanismo para reimpor sanções da ONU contra o Irão, por incumprimento em relação ao seu programa nuclear.
Os três países, que constituem o grupo conhecido como E3, notificaram o Conselho de Segurança da ONU, "com base em provas factuais", que o Irão "está em incumprimento significativo dos seus compromissos" do acordo nuclear de 2015.
O grupo E3 invocou nesse sentido a ativação do mecanismo 'snapback', que inicia "um processo de 30 dias para reimpor uma série de sanções suspensas há dez anos", embora esteja pronto para dialogar com Teerão neste período.
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