Ajuda insere-se na perspetiva de uma conferência internacional de doadores em "apoio à resistência civil ucraniana", que terá lugar em 13 de dezembro em França.
Os Estados Unidos preparam-se para anunciar uma ajuda financeira "substancial" à Ucrânia, para ajudar o país a lidar com os danos causados pelos ataques russos às infraestruturas energéticas, revelaram esta segunda-feira altos funcionários norte-americanos à agência France-Presse (AFP).
O apoio será detalhado esta terça-feira pelo secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, que chegou na segunda-feira a Bucareste para participar na reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO.
Altos funcionários dos EUA referiram que o apoio "será substancial e não será o último", embora não tenham detalhado quando o valor exato.
As mesmas fontes, que falaram sob condição de anonimato, lembraram que o Governo liderado por Joe Biden já destinou 1.100 milhões de dólares (cerca de 1.000 milhões de euros) para energia na Ucrânia e na Moldova.
A ajuda insere-se na perspetiva de uma conferência internacional de doadores em "apoio à resistência civil ucraniana", que terá lugar em 13 de dezembro em França, acrescentaram.
A Rússia tem promovido, desde o início de outubro, uma vaga de ataques em massa de mísseis contra a infraestrutura de energia em toda a Ucrânia.
Segundo dados citados pelo Governo ucraniano, entre 25% e 30% deste tipo de infraestruturas ficou danificada.
"O que os russos estão a fazer é visar especificamente as centrais transformadoras de alta tensão" e não apenas as próprias centrais elétricas, para desorganizar toda a cadeia desde a produção até à distribuição, explicou um dos responsáveis norte-americano.
Esta reunião do Conselho do Atlântico Norte, principal organismo de decisão política da NATO, ao nível dos ministros dos Negócios Estrangeiros, vai decorrer entre hoje e quarta-feira no Palácio do Parlamento na capital da Roménia e contará com a presença do ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Dmytro Kuleba, para debater as necessidades mais urgentes deste país e o apoio da NATO a longo prazo.
Além da guerra na Ucrânia, os ministros farão um balanço da adesão da Finlândia e da Suécia, já ratificada por 28 dos 30 países membros, mas que continua suspensa à espera do 'sinal verde' da Turquia e da Hungria, e discutirão a crescente ameaça representada pela China.
A Alemanha, que preside o G7, convocou por sua vez para a tarde de hoje uma reunião à margem da NATO sobre a crise energética provocada pela guerra na Ucrânia, durante a qual os Estados Unidos vão apelar aos restantes países para reforçarem a sua ajuda nesta área, segundo uma das autoridades norte-americanas.
A Roménia, assim como a vizinha Moldova, foi duramente atingida pela guerra e cerca de 2 milhões de pessoas passaram por estes países em fuga da Ucrânia. Atualmente, Bucareste abriga cerca de 80.000 refugiados, segundo dados citados por Washington.
A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas -- mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).
A invasão russa -- justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de "desnazificar" e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia - foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.
A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.655 civis mortos e 10.368 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.
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