Emboscada executada no sábado resultou na morte de um soldado francês ao serviço da Força Interina das Nações Unidas no Líbano e fez também três feridos, dois dos quais graves.
O ministro francês dos Negócios Estrangeiros disse este domingo ter recebido do Líbano garantias de que tudo fará para deter os autores da emboscada que causou a morte a um capacete azul francês, ao serviço das forças de manutenção da paz das Nações Unidas no país do Médio Oriente.
"Recebemos ontem [sábado] garantias de que as autoridades libanesas darão prioridade absoluta a encontrar os autores deste assassinato", disse Jean-Noël Barrot, em declarações à emissora francesa RadioJ.
Barrot repetiu que todos os indícios apontam para que a autoria do ataque seja da milícia xiita libanesa Hezbollah, próxima do Irão, que, porém, negou qualquer envolvimento.
O chefe da diplomacia francesa denunciou ainda o que diz ser "o apoio do Irão a milícias que desestabilizam a região e que, no meio da guerra lançada por Estados Unidos e Israel [contra a república islâmica], atacam países vizinhos e soldados franceses".
Barrot criticou também as operações militares israelitas no Sul do Líbano, que, em seu entender, em vez de acabarem com o Hezbollah, acabarão por reforçá-lo, ao mesmo tempo que apelou ao Governo de Beirute que se foque no desarmamento da milícia xiita, "a única solução política para garantir a paz e a estabilidade no Líbano".
Uma emboscada executada no sábado resultou na morte de um soldado francês ao serviço da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) e fez também três feridos, dois dos quais graves.
"A França exige às autoridades libanesas que detenham imediatamente os culpados e assumam as suas responsabilidades juntamente com a FINUL", instou Emmanuel Macron, na rede social X, quando soube da morte do soldado francês.
O Presidente francês vai receber em Paris o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, na terça-feira.
"Esta visita será uma oportunidade para o chefe de Estado reiterar o seu compromisso com o pleno e completo respeito pelo cessar-fogo no Líbano, o apoio da França à integridade territorial do país e às ações empreendidas pelo Estado libanês para garantir a plena e completa soberania do país e o monopólio das armas", elencou o Palácio do Eliseu, a sede da Presidência francesa.
A situação permanece muito instável no Líbano, onde um frágil cessar-fogo entrou em vigor na quinta-feira, anunciado por Washington após uma reunião, no início da semana, entre os embaixadores libanês e israelita nos Estados Unidos, o primeiro encontro deste tipo em décadas.
O Líbano foi arrastado para a guerra no Médio Oriente quando o Hezbollah retomou os ataques contra Israel, em 02 de março, após o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, aliado e financiador do grupo xiita libanês.
No mesmo dia, as autoridades libanesas proibiram as atividades militares do Hezbollah, após vários meses em que procuraram desarmar o grupo, que, no entanto, recusa entregar o seu equipamento militar enquanto o país estiver sob ameaça de Israel e não cessou os seus ataques aéreos contra o país vizinho.
Em resposta, as forças israelitas desencadearam uma vasta operação militar no Líbano, através de bombardeamentos intensivos alegadamente contra alvos do Hezbollah, a par da expansão das posições terrestres que já ocupavam no sul do país.
Em declarações feitas no sábado, o líder do Hezbollah prometeu retaliar contra os ataques israelitas no Líbano.
"Um cessar-fogo significa a cessação completa de todas as hostilidades. Como não confiamos neste inimigo [Israel], os combatentes da resistência permanecerão no terreno, prontos para disparar, e responderão a quaisquer violações", garantiu Naim Qassem num comunicado lido na televisão, acrescentando que uma trégua não pode ser unilateral.
O líder do Hezbollah afirmou que a forma como "os Estados Unidos estão a impor o seu texto e a falar em nome do Governo libanês" é um insulto ao Líbano.
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