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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Foi assim que a Ucrânia matou o chefe do programa de mísseis russo em Moscovo

Suspeita-se que a bomba foi colocada e que hackers ucranianos apagaram as imagens de videovigilância.

11 de junho de 2026 às 20:06

O Kremlin está, desde a manhã de terça-feira, a tentar encobrir mais um atentado em Moscovo, na Rússia, cometido por assassinos misteriosos, considerados como agentes secretos de Kiev. Apesar da ausência de comunicados oficiais, o nome da vítima circula em canais do Telegram: general Damir Davydov, chefe do programa de mísseis da Rússia. 

Davydov foi morto por meio quilo de explosivos escondidos no carro. A viatura explodiu pouco depois de sair do estacionamento do complexo Aviatorov, o conjunto de prédios onde moram os oficiais de alta patente, segundo avança o jornal italiano Repubblica. Este é o mesmo complexo onde o general Yaroslav Moskalik foi assassinado em abril de 2025.

Quem foi o general Davydov?

Davydov cresceu rodeado de mísseis em Penza-19, uma cidade atualmente conhecida como Zarechny. A região era um área secreta onde se concentrava o design de mísseis desde os tempos da URSS. O pai de Davydov liderava o gabinete técnico central responsável por testar protótipos. O filho seguiu as pisadas do pai, uma prática comum em setores estratégicos, pois garante a inclusão de pessoas habituadas a manter a confidencialidade.

Há muito pouca informação disponível sobre a carreira do general. A revista do ministério da Defesa russo noticiou a visita de uma delegação ao Cazaquistão, onde Davydov estava registado como o diretor que geria a produção de mísseis e artilharia pesada. Uma posição que se tornou mais relevante após a invasão à Ucrânia.

Ataques ucranianos no coração de Moscovo

A capacidade dos serviços de inteligência ucranianos atacarem o coração de Moscovo ainda é um mistério. Há um ano, depois da morte do general Moskalik, 10 oficiais seniores passaram a ter um guarda-costas.

Mesmo o complexo Aviatorov não ficou protegido o suficiente para impedir ataques. Suspeita-se que a bomba foi colocada, mas os hackers ucranianos têm conseguido repetidamente aceder às câmaras de videovigilância russas, utilizando-as para monitorizar os movimentos dos alvos ou para interromper as imagens antes de um ataque.

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